MEARIM: o nosso rio

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04/04/2013 17:02

Genuinamente maranhense, nasce nas encostas da Serra Menina numa altitude de 450 m, no município de Formosa da Serra Negra. Seu curso é de 930 km, sendo navegável somente em parte do alto Mearim e nos trechos médio e baixo do rio, compreendido entre a sua foz na Baia de São Marcos e a cidade de Barra do Corda, ou seja,  645 km. Logo, somente 69,3 % do rio Mearim é navegável.

A navegação no Mearim, atualmente, é praticada por embarcações de madeira, autopropelidas (lanchas), com capacidade de carga variando entre 4 e 10 toneladas, no transporte de carga geral (arroz, milho, feijão, babaçu, farinha de mandioca, pescado, gêneros diversos, etc.) e passageiros entre os diversos povoados e cidades existentes ao longo da via. No trecho que compreende o Baixo Mearim, encontra-se uma embarcação típica denominada de "igarité", embarcação de pequeno calado, movida à motor, fabricado na própria região. Fisicamente, está dividido em três trechos: O Alto Mearim, o Médio Mearim e o Baixo Mearim. O Mearim desemboca na Baía de São Marcos, na ponta meridional da Ilha dos Caranguejos.

O Alto Mearim estende-se desde a nascente à foz do rio Flores, afluente da margem direita, com uma extensão de 400 km aproximadamente. O desnível total do trecho é de cerca de 400 m, sendo a declividade bastante variável devido ao elevado número de corredeiras, que em muitos casos obstruem o leito. A declividade média do trecho é de aproximadamente 1,0 m / km. A largura média é de 40 m, que se reduz à medida que se sobe o rio. Apresenta grande sinuosidade e profundidade média nos estirões de 1,50 a 2,00 m. A profundidade mínima no trecho situa-se em torno de 1,00 m.

O Médio Mearim compreende o trecho entre a barra do rio das Flores e o Seco das Almas, com extensão de aproximadamente 180 km. O desnível total é de cerca de 20 metros, sendo a declividade média de aproximadamente de 11 cm/km. A largura situa-se entre 50 e 100 metros. Neste trecho encontram-se diversos alargamentos do rio onde os depósitos aluvionais tornam muito difícil a navegação, com profundidades da ordem de 0,80 metros em águas baixas.

O Baixo Mearim  compreende o trecho entre o Seco das Almas  até à foz na baía de São Marcos. A sua extensão é de aproximadamente 170 km. O desnível total é de cerca de 12 m, e declividade média, aproximada de 7 cm/km, apresentando características de um rio de baixada, com grandes meandros. O curso d'água é lento e as profundidades constantes, com a mínima em torno de 1,50 m, localizadas nos trechos de depósitos de aluvião denominados "secos" e em algumas corredeiras, que se constituem no principal obstáculo à navegação.

Além do rio Flores, são também afluentes do Mearim os rios Corda e Enjeitado (margem direita), Grajaú e Pindaré (margem esquerda). O Mearim é um dos 67 rios estuários do mundo que possui o fantástico fenômeno da pororoca, o encontro das águas oceânicas do Atlântico com as do rio. Banha as cidades de Formosa de Serra Negra, Barra do Corda, Esperantinópolis, Bernardo do Mearim, Pedreiras, Trizidela do Vale, Bacabal, São Luís Gonzaga, Vitória do Mearim, Arari e inúmeras outras povoações e povoados existentes ao longo do seu curso.

A Bacia Hidrográfica do Mearim possui um formato circular e ocupa uma área de aproximadamente 58.000km2, correspondendo a cerca de 18% da área total do Estado do Maranhão. Sob o ponto de vista geográfico se desenvolve entre os paralelos 3° e 7° de Latitude Sul e entre 44° e 47° de Longitude Oeste.

Atualmente o rio Mearim vem sofrendo vários problemas, sobretudo de ordem ambiental, ocasionados pela ação da própria natureza e pela ação antrópica como: a salinização, o assoreamento do seu leito, o abandono de meandros e a devastação da mata ciliar. A salinização devido o baixo volume d’água do rio, provocado pelo assoreamento de seu leito. Com isso a água do oceano invade o rio e acaba tornando a água salgada, principalmente na sua foz próximo a Arari. A quantidade de sal é tanta que quando a maré baixa deixa sal acumulado nas margens do Mearim.

Outro problema grave, que já foi supracitado, é o assoreamento (aterramento) do leito que vem aumentando ano a ano, e o principal motivo é o desmatamento da mata ciliar. Sem essa vegetação marginal as barreiras do rio ficam desprotegidas, e assim a água aos poucos vai derrubando-as. Para comprovar tal problema, basta observar as populares coroas (croas), aterros que margeiam o rio Mearim, em quase todo o seu curso. Esses problemas de salinização e assoreamento são mais frequentes no seu baixo curso, próximo à sua foz, que é em forma de estuário. O conceituado educador e geógrafo arariense, Silvestre Fernandes, no seu belíssimo trabalho intitulado “A Baixada Maranhense”, disse o seguinte sobre o estuário do Mearim:

“Tanto o Mearim como o Pindaré e o Itapecurú alcançam a Baixada no seu curso Inferior.

No estuário do Mearim encontra-se a Ilha dos Caranguejos, um trecho de campo separado por um braço de rio, e na foz do Aurá destaca-se a Ilha das Pacas. “Nos lugares menos lamacentos, ainda sujeitos às águas salgadas, ocorrem às restingas, de vegetação raquítica.”

O trecho abaixo, extraído do livro do Dr. Raimundo Lopes, intitulado “Uma Região Tropical”, a respeito do rio Mearim, elucida:

“É sobre o estuário do Mearim que mais amplamente se revelam as modificações devidas à influência  do mar. O rio é considerável; mas o insignificante declive do seu curso inferior amortece-lhe a corrente e facilita a intromissão das marés.

Outra circunstância favorece, decerto, a ação marítima sobre o Mearim; a foz do importante rio é jusante a principal reentrância do Golfão Maranhense; é o seu verdadeiro vértice, para o qual converge a maior parte da energia lançada, pela oscilação marítima nessa dilatada abertura de quase trinta léguas.

Ao influxo dessas circunstâncias, a invasão marítima penetra, no Mearim, até 100 km de distância reta do litoral, fazendo do estuário desse rio o maior dos estuários maranhenses. A Baia de São Marcos não é mais do que a sua parte anterior, a entrada, o “pré-estuário”. É a última volta do rio, na longa arqueadura que vai de Itapeua ao costão de Alcântara, e aberta para nordeste, entre o Itacolomi e a costa setentrional da Ilha.

Subindo a baía, passa-se, quase insensivelmente, aos dois braços que acingem a ilha dos Caranguejos – um pedaço de campo que se debate entre correntezas, orlado já de franjas de manguezais. Quem sobe esta parte do rio, ou, mais adiante, o Pindaré, tem, ao assistir ao desmoronamento de barreiras e ao observar à falta de estabilidade dos bancos de vasa e areia do leito, o perfil monótono dos manguezais, a quantidade de materiais revolvidos pela floculação, o quadro mais flagrante do grande conflito de forças oceânicas e das forças continentais. É no Mearim que se observa bem o fenômeno da pororoca”.

 

REFERÊNCIAS

    FERNANDES, Silvestre. Baixada Maranhense. Revista Brasileira de Geografia. 1956.

    LOPES, Raimundo. Uma Região Tropical. Rio de Janeiro. Editora Fon-Fon e Seleta. 1970.

 

 

 

 

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