(Imagem retirada da INTERNET)

ARARI: comércio informal

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O comércio informal é o tipo de atividade realizada sem registro jurídico e fiscal, e sem arrecadação tributária. Desse modo, é exercida sem o devido regimento legal. Trata-se, portanto, de uma das atividades mais antigas das quais se tem conhecimento. Nos dias de hoje, o comércio informal está presente no mundo todo. Nem todas as pessoas têm condições de possuir um estabelecimento devidamente legalizado, sobretudo no Brasil, onde a burocracia é um entrave grandioso na abertura, legalização e manejo de uma empresa.  

Esse ramo comercial vem se desenvolvendo bastante em Arari. Seja por falta de emprego formal, com carteira assinada, por exemplo; seja pela limitação de trabalho na cidade; seja pela baixa escolaridade do trabalhador; ou, também, porque o “comerciante” vê nesse tipo de atividade uma forma de se livrar da massacrante carga tributária, que é altíssima em nosso país, diga-se de passagem.

Existem vários indivíduos, em Arari, trabalhando nesse tipo de ramo comercial, aos quais destacamos: sacoleiras, camelôs, vendedores de alimentos espalhados pelas esquinas da cidade (vendas de churrasquinhos, lanches, churros, por exemplo); vendedores de bebidas alcoólicas (bares), vendedores ambulantes de peixes, frutas, verduras, picolés; sem falar na venda indiscriminada de CDs e DVDs pirateados; além da venda ambulante de remédios fitoterápicos, cujos estes, muitas vezes, são de procedência duvidosa, e os vendedores juram que são capazes de curar várias enfermidades

Mediante a crise socioeconômica que o mundo atravessa, aliada a baixa qualificação profissional e educacional a que boa parte da população esta inserida, o comércio informal é uma alternativa de trabalho e renda que garante a sobrevivência de muitas famílias. Todavia, o município acaba por sofrer prejuízo, haja vista que não há arrecadação de impostos oriundos desse tipo de trabalho, o que implica na diminuição do Fundo de Participação Municipal (FPM), e, consequentemente, o ente federativo não usufruirá, efetivamente, dos recursos públicos. O trabalhador, por sua vez, deixa de ter acesso a direitos trabalhistas como: férias remuneradas, décimo terceiro, FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), seguro desemprego, dentre outros benefícios; e, também, previdenciários, caso não contribua com algum tipo de previdência.

A expansão desordenada do trabalho informal é culpa da falta de políticas públicas condizentes e eficazes, voltadas para a qualificação do trabalhador, para a formação e preparação escolar sólida da juventude, principalmente para aqueles jovens que integram a população mais carente.

 

TIPOS DE SOLOS PREDOMINANTES NO MARANHÃO

A principal referencia sobre os solos maranhenses, em escala regional, e do mapa acima é: JACOMINE, P.K.T. et al. Levantamento exploratório-reconhecimento de solos do Estado do Maranhão, Rio de Janeiro, Embrapa-SNLCS/SUDENE-DRN, 1986. Os solos representam a base de numerosas atividades humanas. O geólogo o entende como rocha decomposta e indicador de processos geológicos passados; o agrônomo o vê como sustentáculo da vida; para o engenheiro civil interessa o seu comportamento mecânico e hidráulico. O pedólogo vê o solo como corpos naturais, portadores de vida microbiana e resultante de complexos processos realizados na interface litosfera-atmosfera-biosfera, num certo período de tempo e em certas condições topográficas (OLIVEIRA e BRITO, 1998; LEPSCH, 2002). Para o geógrafo, o conhecimento de sua origem e dinâmica ambiental é significativo para determinar potencialidades e fragilidades no uso e ocupação de um território. Considerando a grande extensão territorial do Maranhão e observando o mapa de solos do Brasil, é possível perceber o quanto é significativa a variedade de solos desse Estado. Por sua posição geográfica, predominam solos tropicais. Pelo predomínio de rochas sedimentares, são grandes as extensões cobertas por latossolos, argissolos e neossolos, entre outros. Considerando esta diversidade pedológica, optou-se por apresentar a seguir somente os solos de maior abrangência espacial, correspondendo a mais de 95% da área do estado do Maranhão. A descrição desses grandes grupos segue a recomendação da Embrapa 2006).

Os Latossolos e suas variações (amarelos, vermelho-amarelos, vermelho-escuros e roxo) caracterizam-se por sua grande profundidade, resultante de longo processo evolutivo e pela baixa fertilidade natural. São normalmente solos ácidos, de boa drenagem, permeáveis, exceto quando apresentam textura muito argilosa. São solos típicos de regiões equatoriais e tropicais e são normalmente encontrados em áreas de relevos plano e suave ondulado. São comuns na bacia do Tocantins, na parte centro sul, até Barra do Corda e na bacia do Itapecuru.

Os Argissolos, antigos Podzólicos vermelho-amarelos e vermelho-escuros, são solos com elevado teor de argila nos horizontes mais profundos. São bem estruturados, com profundidades variáveis e cores avermelhadas e amareladas. A textura varia de arenosa a argilosa, com presença de caulinita. A maior concentração desse grupo de solos está ao norte do Estado, na região do médio Mearim, e no vale do Itapecuru, ao sul de Caxias.

Plintossolos são solos normalmente ácidos e mal drenados, característicos de clima tropical com estações secas e chuvosas bem marcadas e de área s de relevo plano, como várzeas e terraços fluviais. A formação da plintita, com sua característica cor vermelha ou amarela e grãos mais ou menos arredondados, resulta da variação no nível da umidade do horizonte plintico. Surgem às margens dos rios do leste e da Baixada maranhense.

Neossolos é a denominação mais recente para o grupamento de solos pouco evoluídos, sem horizonte B diagnóstico definido. Reúne diversos solos “jovens” como os Litólicos (Neossolo Litólico), os Aluviais (Neossolo Flúvico), os Regossolos (Neossolo Regolítico) e as Areias Quartzosas (Neossolo Quartzarênico). São considerados solos jovens porque estão em via de formação, graças ao material que lhes deu origem, como um afloramento de rochas, ou pela reduzida atuação da pedogênese. Os Neossolos Litólicos são rasos e pedregosos e surgem largamente no sul e sudeste do Estado. As areias quartzosas ou Neossolos Quartzarênicos e aparecem na porção nordeste do Maranhão, na região do Delta do Parnaíba e nas áreas vizinhas às dunas do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Os aluviais ou Neossolos Flúvicos são derivados de sedimentos aluviais e dominam grandes extensões de vales, principalmente o do rio Mearim.

Gleissolos são solos hidromórficos, mal a muito mal drenados, sendo encontrados em áreas periódica ou permanentemente saturadas com água. São bastante desgastados e fortemente ácidos. Apresentam profundidade variável, dependendo da saturação do solo com relação ao relevo. São comumente encontrados em fundos de vales, na região do Gurupi e na Baixada maranhense.

P.S. (Texto produzido pelo Departamento de Geomorfologia da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Reproduzido, na integra, neste sítio eletrônico).

REFERÊNCIAS

EMBRAPA, Centro Nacional de Pesquisa de Solos. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. 2.ed. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2006.

BLOG GEOMORFOLOGIA. Disponível em: < http://geomorfologiacesc.blogspot.com.br/2012/04/solos-do-maranhao-mapa-e-notas.html>. Acessado em 15 de maio de 2014.

OLIVEIRA, A.M.S e BRITO, S.N.A. de. (ed.). Geologia de engenharia. São Paulo: ABGE,1998.

LEPSCH, I.F. Formação e conservação dos solos. São Paulo: Oficina de textos, 2002.

 

 

 

HISTÓRIA DE ARARI

Dualidade administrativa

O saudoso Padre Brandt, no livro Assuntos Ararienses II, deixou-nos detalhes desse fato curioso da nossa história política de 150 anos. Aqui, resumidamente, transcreveremos tal fato:

No dia 30 de outubro de 1912, houve eleição em Arari para deputado estadual, Intendente municipal (que correspondia ao cargo de prefeito) e vereadores. Para o cargo de Intendente candidataram-se Marcelino Eduardo Chaves e Lucílio Quintino Fernandes. O resultado da eleição foi favorável ao candidato Marcelino Eduardo Chaves, que teve 262 votos contra 249 votos dados a Lucílio Quintino Fernandes. Uma diferença de 13 votos, segundo a apuração feita.

Essa escassa diferença levou o grupo derrotado a contestar a vitória de Marcelino Chaves, sob a alegação de fraude na confecção das atas eleitorais, e, por isso recorreram ao Congresso Estadual, que na época tinha o poder de julgar as eleições fraudulentas. E assim, foi concedido habeas-corpus a Lucílio Fernandes para que ele pudesse assumir o cargo de Intendente de Arari.

Após seis meses da posse de Lucílio Fernandes, Marcelino Chaves dirigiu ofício ao Governador do Estado Luiz Domingues, que era seu aliado político, que lhe concedeu o direito de também assumir a Intendência do município, e ainda mandou para Arari grande contingente policial, para garantir a posse de Marcelino Eduardo Chaves e coibir as pretensões de Lucílio e seu grupo. Assim, Arari passou a ter uma dualidade administrativa, ou seja, dois administradores.

Durante esse conturbado período político, aconteceram incidentes lamentáveis em Arari, agressões, prisões ilegais, abusos de toda natureza. Em 1919, ocorreu um ato insano.  Foi a destruição de uma tipografia, que teve seus equipamentos jogados no rio Mearim, e que faria a impressão do primeiro jornal impresso em Arari, que por ironia do destino intitulava-se “A Ordem”. Esse acontecimento ignominioso foi relatado com maestria pelo nosso eminente escritor, José Fernandes, em sua crônica denominada - Uma vergonhosa noite do passado -, que se encontra no livro, de sua autoria, Coisas e gente de minha terra.

(FOTO: FAPEMA)

OS ATERRADOS, formação vegetacional peculiar em nossa região

Na Baixada Maranhense, a variação no nível da água, representada pelos períodos de cheia e de seca, provoca alterações nas características dos habitats inundáveis. (DA SILVA et al. apud PINHEIRO et al., 2001). Neste ambiente baixadeiro, há uma grande diversidade de tipologias vegetacionais. Destacando-se: babaçuais, cerrado e cerradão, campos inundáveis e herbáceos, matas secundárias (Capoeiras), florestas primárias, matas de aterrado (Aterrados), entre outras formações.

Neste artigo, iremos nos reportar aos Aterrados. Ambientes peculiares desta região biodiversa. São de suma importância para a manutenção da vida silvestre e do nível de águas dos lagos regionais. Não é exagero afirmarmos que sem os Aterrados, muitos lagos da Baixada Maranhense secarão. Daí a necessidade da sua preservação.

Os aterrados “são áreas banhadas por águas quase paradas, pantanosas. Na sua formação, camadas de gramíneas e outras plantas aquáticas de menor porte vão gradativamente se acumulando de substrato em substrato, onde crescem plantas de porte cada vez maior. Com a morte de muitas espécies, que não conseguem adaptar-se sem solo, acumula-se a matéria orgânica. A espessura aumenta com o passar do tempo. Na Baixada Maranhense são encontrados dois tipos de aterrados: os flutuantes (que levantam com a subida das águas, durante o período de chuvas) e os não flutuantes (presos ao solo)” (Blog Geografando).

“Em áreas onde há o predomínio da Aninga (Montrichardia arborescens; Araceae), os Aterrados são supostamente mais recentes, em formação. Onde existe o Buriti (Mauritia flexuosa), os Aterrados são mais antigos, e em consequência mais espessos com o acúmulo de matéria orgânica, sendo mais firmes como substrato para espécies vegetais de grande porte, como a Gameleira (Ficus sp.; Moraceae), e de palmáceas, como o Buriti, a Juçara (Euterpe oleracea Mart.; Palmae), a Bacaba (Oenocarpus distichus Mart.; Palmae) e a Titara (Desmoncus sp.; Palmae), com a presença de cipós e samambaias. Os Aterrados são de uso comum, ainda que em áreas particulares. Assim sendo, os recursos naturais podem ser usados por todos. Quase toda a produção de Juçara sai dessas unidades de paisagem. As crenças locais têm grande importância sobre sua conservação, pois a crendice popular de que eles estejam protegidos pelos “encantados”, entidades sobrenaturais, é o que mantém os agressores afastados, principalmente dos Aterrados flutuantes, ou ilhas flutuantes, como são mais conhecidos na região” (ARAÚJO, 2008, p. 32 e 33). Os aterrados constituem áreas importantes para a reprodução de muitas espécies de peixes, além de locais de alimentação e abrigo. São verdadeiros berçários naturais, sobretudo para as aves piscívoras.

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, Naíla Arraes de. Relações ecológicas entre a fauna ictiológica e a vegetação ciliar da região lacustre do baixo Pindaré na Baixada Maranhense e suas implicações na sustentabilidade da pesca regional. UFMA, 2008. (Dissertação de Mestrado).

BLOG GEOGRAFANDO. Disponível em: <http://luizjorgedias.blogspot.com.br/2011/03/ecologia-de-paisagem-e-baixada.html>. Acessado em 29 de maio de 2014.

PINHEIRO, Claudio Urbano B; ARAÚJO, Naíla Arraes; AROUCHE, Galdino Cardinal. Plantas Úteis do Maranhão. Região da Baixada Maranhense. São Luís: Editora Aquarela, 2010, p. 16 e 17.

 

 

(Foto: Site da UFMA)

A cabacinha, fruto exótico, tóxico e medicinal

A cabacinha (Luffa operculata), também conhecida como buchinha do norte, abobrinha-do-norte, bucha-dos-paulistas, puga-de-joão-pais, abobrinha-do-mato, purga-de-bicho, capa-de-bode, buchinha-do-nordeste e bucha-dos-caçadores, é uma erva trepadeira tóxica e de ocorrência em todo o território brasileiro.

Seu princípio ativo é utilizado na cura contra várias enfermidades: verminoses, problemas oftalmológicos e até o herpes, além de ser purgativa e diurética. A dose recomendada para o uso medicinal da cabacinha é de apenas ¼, não podendo ultrapassar, de forma alguma, essa quantidade, pois assim, torna-se um veneno perigo. Se for usada por mulheres gestantes, pode causar aborto.

Lembro-me, perfeitamente, que a minha avó e a minha mãe utilizavam a cabacinha em eficientes lambedores caseiros para curar gripes, tosses e expectorar secreções (catarro) dos pulmões. A cabacinha era utilizada por elas, também, para fazer “banhos”. Diluíam um quarto da buchinha e colocavam de molho em uma vasilha, e deixavam no sereno por uma noite, e, no dia seguinte, “banhavam” a cabeça com água amarga. Diziam que era bom para as dores de cabeça e para eliminar o catarro também.

Era comum encontrarmos a cabacinha em quintais, terrenos baldios e próximo das matas ciliares dos igarapés, lagos e do rio, aqui na região do Arari. Atualmente, não é encontrada com facilidade em nossa região. Por ser perigosa, o seu uso caseiro deixou de ser recorrente, hodiernamente.

Estudo e uso científico e farmacêutico da cabacinha

No Programa de Fitoterapia do Herbário Ático Seabra, a Essência de Cabacinha é um dos fitoterápicos mais importantes. O medicamento natural, produzido por meio da infusão do fruto da Luffa operculata (cabacinha) em álcool, é indicado para tratamento de sinusite, renite e problemas na adenóide.
A professora Terezinha Rêgo, uma das maiores pesquisadoras brasileiras das plantas fitoterápicas, responsável pelo desenvolvimento da essência, conta que tinha ouvido muitos depoimentos sobre as propriedades médicas da cabacinha, mas o fator decisivo para o desenvolvimento da pesquisa foi a sinusite que a acometeu durante as pesquisas para a sua tese de Doutorado, em 1966.

“Tive problemas para isolar o princípio ativo da cabacinha, pois a planta possui um alcalóide corrosivo, que causa sangramento na narina”, explica a farmacêutica. As pesquisas para eliminar os efeitos colaterais duraram 20 anos, principalmente pela falta de condições técnicas. Em São Paulo, Terezinha desenvolveu a essência, após descobrir que o alcalóide corrosivo se encontrava na semente. “Eu fui a primeira pessoa que usou o fitoterápico,” – revela – “usei um vidro de 50 ml e nunca mais tive problemas como a sinusite. Tenho um carinho especial pela essência porque ela me curou”. A esta essência é atribuída o maior reconhecimento do trabalho da professora, que , segundo ela, cresceu a partir do depoimento de pessoas beneficiadas com o medicamento.

REFERÊNCIAS

SITE DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO – UFMA. Disponível em: <http://portais.ufma.br/PortalUfma/paginas/noticias/noticia.jsf?id=4632>. Acessado em 16 de maio de 2014.

BLOG REMÉDIO CASEIROS. Disponível em:<http://socionatural.blogspot.com.br/2009/03/buchinha.html>. Acessado em 16 de maio de 2014.

CAUSOS ARARIENSES

...AQUILO É QUE É O COMUNISMO

*Luiz Henrique Everton

henriquechaveseverton@gmail.com                                  

 

Em uma tarde ensolarada do ano de 1968, na cidade maranhense de Arari, dois jovens enamorados que se deleitavam entre beijos e abraços em um banho de rio, numa determinada margem do Mearim, chamaram a atenção das pessoas que ali se encontravam ou passavam em suas embarcações.

Era comum naquele período a utilização do citado rio para banhos, lavagem de roupas e a turma jovem se distrair com natação, mergulhos e ganzola nas espessas moitas de mururu que se locomoviam no vai-e-vem das marés.

Vários senhores e senhoras quando usufruíam daquele curso d’água, face ao comportamento social da época, usavam roupas bem avantajadas, os homens, de calça tipo ¾ (à altura da meia canela) ou até mesmo da cintura aos pés, enquanto as mulheres, o modelo apropriado era o vestido, literalmente comprido.

Naquela tarde, Seu Fulano e Dona Sicrana, que na oportunidade, como era costumeiro, estavam trajados exatamente como esclarecido acima, prontos para o tradicional banho de rio.

Apesar da pouca instrução, Seu Fulano e Dona Sicrana tinham boa formação familiar e cristã. Eram dóceis e obedientes à rigidez social daquele tempo, mas Seu Fulano, possuía um dote especial, era um exímio conselheiro e tratava a todos com muita delicadeza.  

Os dois, seguindo o padrão social do período, com seus respectivos vestuários de banho, calça e vestido, como já dito, passaram a ocupar o mesmo local daquele casal que namorava nas águas do Mearim.

O despertar da curiosidade não ficou restrito apenas ao explícito namoro, que era muito contido, típico daqueles tempos, mas também pela ousadia do jovens enamorados, que na ocasião do banho de rio, apresentavam-se com indumentárias minúsculas, de short e maiô, peças bastante reduzidas em relação às extravagâncias que Seu Fulano e Dona Sicrana usavam, portanto, adiantadíssimos para aqueles anos, especialmente se tratando de uma cidadezinha do interior, dotada de costume/regras, tabu que leva ao temor, consequentemente o preconceito e/ou proibição.

A jovem moça que flertava no banho, bem modelada, sensual, rosto delicado, ousada para os padrões sociais do passado, também em função de sua liberalidade, modismo, idealismo, além de escolada, motivava boa impressão a todos, muito mais aos homens do lugar.

Na cidade morava o Senhor Manuel Abas, um sírio-libanês, que migrou para Arari, dono do São Jorge Hotel, onde se hospedara um viajante, boa presença, sociável, que logo conquistou o coração daquela jovem.

Vivíamos os anos de repressão, que se destacou pelo combate da extrema-esquerda contra extrema-direita, originando uma cultura de pavor por conta do hipotético risco de implantação do comunismo no país.

À frente da Igreja católica de Arari estava o Padre Brandt, homem muito culto, profundo conhecedor daquela filosofia marxista, mas que sabia utilizar uma linguagem informal para advertir com maestria, seus paroquianos, católicos e correligionário-político-partidários, que não eram poucos, quanto àquela suposta ameaça e consequências negativas, sem necessidade de ir ao núcleo de tal ideologia. Além disso, em face do que ouviam dos serviços de alto-falantes e jornais/boletins produzidos/impressos em Arari, é provável que aqueles captaram uma ideia como correta, formatando no imaginário equivocada compreensão do sistema questionado.

Seu Fulano, bom sujeito e obediente, um ranzinza padrista (nomenclatura aos que seguiam referido Padre), e tantos outros seguidores ou não, faziam plantão para ler e ouvir os históricos e polêmicos editoriais e discursos daquele pároco.

É bem possível que essas bagagens de informações tenham sido os fatores culminantes para que naquela tarde, com a insatisfação gerada por conta daquele inusitado namoro e da inabitual forma de se vestir, às claras, sem modéstia, à vista de um paradigma quebrado, se achando sem chão, constrangido ao lado de sua mulher, ter sido a gota d’água para que Seu Fulano, convicto do que seu intelecto houvera definido e contido acerca da temática ou essência da palavra comunismo, associado à cena que acabara de testemunhar, manifestasse com firmeza e franqueza a sua opinião, expressando a surpreendente frase: “DONA SICRANA, TU TÁ VENDO AQUILO ALI?! AQUILO É QUE É O COMUNISMO!!! VAMOS EMBORA?!” Perplexos, subiram até a orla do rio e se mandaram do local, enquanto Seu Fulano balbuciava confusamente por entre os dentes externando mau humor, em protesto àquela conduta até então reprovada.

A qualquer momento, algo, que está guardado no imaginário pode vir à tona, ainda que de uma inocência franca. Foi isso que aconteceu com Seu Fulano.

*Escrivão de Polícia Federal aposentado.

P.S. Este texto é do arariense Luiz Henrique Everton, que gentilmente autorizou a publicação neste site. O referido texto foi publicado no Jornal Pequeno do dia 11 de maio de 2014.

 

 

                                                                                                                                                  

 

 

ARARI: localização, origem e aspectos geográficos, econômicos e culturais

O município de Arari, localizado no estado do Maranhão, originou-se do município de Vitória do Mearim. Sua emancipação política se deu em 27 de junho de 1864. Seu primeiro administrador foi o tenente-coronel José Antônio Fernandes, que era o presidente da câmara de vereadores. Devido tal cargo o tenente-coronel teve o privilégio de ser o primeiro administrador do município de Arari. “José Antônio Fernandes, que residia em Arari, é presidente da Câmara Municipal da Vila do Mearim e, nessa condição, primeiro mandatário do município, além de juiz de paz em Arari” (BATALHA, 2011, p. 86). A primeira eleição municipal em Arari aconteceu em 7 de setembro de 1864.

“O curado de Arari foi fundado em 1723 pelo Pe. José da Cunha D'éça”, foi o que, categoricamente, afirmou César Augusto Marques, em seu secular “Dicionário Histórico-Geográfico da Província do Maranhão”.  “Não se equivocou, pois, o eminente historiador e geógrafo César Augusto Marques ao afirmar que o Arari foi fundado por José da Cunha D’Eça” (FERNANDES, 2008, p. 127). José Fernandes enfatiza ainda: “Pelo Visto, caso o pe. José da Cunha D’Éça não tivesse erigido uma igreja no antigo Sítio e estabelecido uma freguesia com terras, gado, curral e acessórios eclesiásticos doados por ele próprio, por certo não existiria, no local em que está hoje, a simpática cidade de Arari”.  Jerônimo de Viveiros, renomado professor, diz, peremptoriamente, “José da Cunha D’Eça, o fundador do Arari, é uma das figuras mais curiosas da história colonial do Maranhão” (O Imparcial, edição de 26 de junho de 1955, apud em BRANDT E SILVA, 1985, p. 17).

Com base no exposto acima é, que, a meu ver, o fundador de Arari foi o lendário Padre José da Cunha D’Eça. Pois se o Padre da Cunha D'Eça não tivesse fundado a primeira Freguesia, será que Arari teria realmente surgido? Ainda nos albores do século XVIII, a Igreja possuía (e ainda possui) muita influência e detinha um poder notório  na geopolítica mundial. Com a fundação dessa Freguesia pelo Pe. José da Cunha D'Eça, dotando-a com uma igreja, doando bois e curral, a povoação, naqueles idos, passou a vigorar com mais organização e com um líder constituído. Sabe-se que, um curato é uma povoação regida por um cura. E o nosso cura, no entanto, àquela época, era o Pe. José da Cunha D'éça. As pessoas influentes são reconhecidas, e o nosso padre-fundador, era influente e reconhecidamente prestigiado.

Arari localiza-se no estado do Maranhão na mesorregião Norte, dentro da microrregião da Baixada Maranhense. Limita-se com os municípios de Vitória do Mearim, Miranda do Norte, Viana, Anajatuba e Matões do Norte. Sua área teritorial é de 1100 km2. Possui uma população total de 28. 448 habitantes (IBGE, 2010)  e uma densidade demográfica de 26,1 hab/km2, portanto, é um território bem povoado. O clima predominante é o tropical quente e úmido, com um período chuvoso e outro seco bem definidos. É o 47º município maranhense com melhor qualidade de vida, possuindo um IDH de 6, 465 (IBGE 2010). O comércio foi a atividade do setor terciário da economia que mais se desenvolveu nas últimas décadas, com destaque para a venda de medicamentos, confecções, peças e acessórios para motocicletas e de frutas e verduras (sacolões).

A sede do município conta, desde 2009, com uma torre de celular (Claro e TIM) e conta com disponibilidade de acesso à internet através da Oi velox; e acesso via rádio da sivnet. As Lan houses também contribuem com a inclusão digital dos ararienses, por elas vários cidadãos podem acessar o rede mundial de computadores.

“O nome Arari originou-se da região de Arari do Pará” (FERNANDES, 2008, p. 125). Provavelmente pessoas oriundas de uma região paraense chamada de  Arari, onde há um Lago Arari, o Rio Arari, a cidade, Cachoeira do Arari, e outros topônimos com a denominação Arari migraram para estas bandas e batizaram estas terras com a denominação Arari. “Portanto, reitero dizendo que o nome de nosso município de Arari originou-se da região de Arari do Pará. Os que de lá vieram, e a história registra que foram muitos, incluindo Lourenço da Cruz Bogéa, aplicaram-lhe o mesmo nome. E a nossa terra Arari se chamou” (FERNANDES, 2008, p. 125). Etimologicamente, ara'ri significa arara pequena, e é uma palavra indígena.

O relevo arariense é plano. Grande parte do território torna-se uma planície alagadiça no período chuvoso, que vai de dezembro a junho. Logo, sua altitude é de 7 m em relação ao nível do mar. Suas áreas mais elevadas não são superiores a 50 m de altitude. A formação geológica do território é de origem sedimentar. O relevo Arariense, assim como o relevo dos demais municípios dos campos da Baixada Maranhense são de “formação geológica recente, tal processo teria ocorrido desde a era Paleozoica até a Cenozoica. A geologia classifica estas terras como bacias de sedimentos recentes, e na qual predominam, como de costume em terrenos dessa espécie, a areia e a argila” (LOPES, 1970, p. 120). Devido essa formação, em solo arariense existe gás natural, tal combustível fóssil foi encontrado pela PETROBRÁS, na década de 1960, no povoado Curral da Igreja.

Em Arari encontra-se uma variedade de belezas naturais. Entre as belezas naturais temos: o fenômeno da pororoca no rio Mearim, que banha o município; o Lago da Morte que fica localizado a 5 km da sede do município, e é na verdade uma grande planície que durante o período das chuvas fica inundada e durante o verão transforma-se em uma grande área plana que propicia  lazer aos visitantes; os campos alagados, verdadeiros berçários naturais, e uma paisagem exuberante de se ver e contemplar. Os lagos perenes, mais de quarenta, que ampliam nosso potencial hídrico, além de serem piscosos, são belos. Aos quais destacam-se: Escondido, Peixe, Almas, Fumo, Pintos, Palmeiral, Capivara, Arari-Açú, Açutinga, Laguinho, etc.; e os igarapés, dentre eles o igarapé do Nema, que corta a sede do município;  Igarapé do Arari; João de Matos,  Garrote, próximo à foz do rio Mearim, Igarapé da Mãe Joana; etc.

O que Arari tem de melhor, sem dúvida, é a sua gente. Gente humilde, nobre, hospitaleira, divertida e festeira. Uma gente que adora cerveja. Oxalá se Arari não é uma  das cidades que mais consomem cerveja no Estado do Maranhão. Considerada como "Atenas Maranhense", por ser um povo tradicionalmente culto. Grandes ararienses se destacaram e ainda se destacam no cenário cultural, literário, científico, musical, artístico, político e religioso Maranhão e Brasil afora. A nossa produção literária ainda é ativa. Aqui são lançados, em média, dois livros por ano. Nas artes plásticas e cênicas estamos sempre em destaque em âmbito estadual. O surf na pororoca e o festival da melancia colocaram Arari na mídia nacional e internacional. Em se tratando de festejos religiosos, o festejo de Nossa Senhora da Graça e o festejo de Bom Jesus dos Aflitos são um dos mais antigos e conhecidos do Maranhão.

Arari tem uma Academia de Letras, a Academia Arariense de Letras, Artes e Ciências - ALAC, instituição que tem o desígnio de zelar pela memória de seus patronos, ilustres ararienses do passado que contribuíram, e muito, com o crescimento desta terra alvissareira. Além disso, esta Agremiação do Saber terá em seu escopo prioritário a contribuição com a Educação do seu povo. Arari é um lugar onde a efervescência cultural é notável.

REFERÊNCIAS

BATALHA, João Francisco. Um Passeio Pela História de Arari. São Luís: Lithigraf, 2011.

BRANDT e SILVA. Assuntos Ararienses. Arari: Editora Notícias, 1985.

FERNANDES, José. Gente e Coisas da Minha Terra. São Luís: Lithograf, 2008.

LOPES, Raimundo. Uma Região Tropical. Rio de Janeiro. Editora Fon-Fon e Seleta. 1970.

MARQUES, César Augusto. Dicionário Histórico – Geográfico da Província do Maranhão. 3ª Ed. Rio de Janeiro. Editora Fon-Fon e Seleta. 1970 (Coleção São Luís).

 


 

 

PADRE BRANDT, o benfeitor do Arari

Arari é um município que gerou muitos homens e mulheres brilhantes. Pode-se destacar: José Antônio Fernandes, primeiro administrador do lugar; Silvestre Fernandes, um benemérito professor e geógrafo; José Gonçalves Martins, eminente maestro; Justina Fernandes Rodrigues, uma das maiores e melhores prefeitas desta gleba alvissareira; Chiquita Bogéa, eminente professora, entre outros. Pode-se citar, ainda, aqueles que escolheram Arari para viver: Pe. José da Cunha D’éça, pioneiro da nossa povoação; Lourenço da Cruz Bogéa, iniciante dos seculares festejos de Nossa Senhora da Graça e de Bom Jesus dos Aflitos; Bill de Jesus, amante e fomentador da nossa cultura e o Padre Clodomir Brandt e Silva, um ícone, expressivo vulto histórico a quem passamos a nos reportar doravante.

“Em plena efervescência de primeira Guerra Mundial, na segunda década do século XX, no dia 22 de novembro de 1917 nasceu Clodomir Brandt e Silva, num humilde povoado chamado Pucumã, pertencente ao então município de Conceição dos Picos, atual Colinas” (FERNANDES, 2012, p. 31). Aos 15 anos de idade ingressou no seminário Santo Antônio em 1932 e foi ordenado padre em 1º de janeiro de 1943 pelo arcebispo metropolitano de São Luís, Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota.

“Em 1º de janeiro de 1944, dia do primeiro aniversário de sua ordenação sacerdotal, Clodomir foi nomeado vigário de Arari. Dia 8 de janeiro de 1944, no final da manhã, aportou na cidade o padre Clodomir Brandt e Silva, passageiro da confortável lancha Aurora, um ano e oito dias após a sua ordenação. Tinha 26 anos de idade” (FERNANDES, 2012, p. 46 e 75).

Logo que aqui chegou, Padre Brandt percebeu que o nosso povo era carente, sobretudo carente de educação. Com operosidade fundou de imediato uma escola, “no corredor da casa em que residia, com dois alunos – Adir Santos e Zózimo Peques. Como os alunos aumentavam rapidamente, não demorou em alugar uma casa com vários cômodos, próxima à igreja, e nela instalou o colégio que fundara, dando-lhe o nome de Instituto Nossa Senhora das Graças, somente para o sexo masculino” (FERNANDES, 2012, p. 79). Hoje a escola fundada pelo padre chama-se Colégio Arariense, uma das mais conhecidas escolas do Maranhão. Templo Maior da educação de Arari.

No mesmo ano de 1945, Clodomir fundou a Associação da Doutrina Cristã – ADC – com o colaboração de outras grandes professoras como Raimunda Ramos, Zilda Rodrigues Fernandes, Maria José Santos, Leonília Santos, Auta Maciel, Josefa Fernandes, dentre outras. A partir de então, o padre Brandt iniciou um brilhante trabalho sacerdotal, educacional, esportivo e cultural nesta cidade.

Várias foram as expressivas obras realizadas pelo padre. Atuou em todos os setores socioeconômicos e culturais do município. Seus empreendimentos sempre visavam a educação e a emancipação do povo. Gerou trabalho e renda. Ingressou na política. Era um articulador nato. Elegeu, em 1959, a prefeita Justina Fernandes Rodrigues (Bembém), quebrando, assim, o poder político de décadas do mandatário Antônio Anísio Garcia em Arari. Sequencialmente elegeu, além de Bembém, Tonico Santos e Maria Ribeiro Prazeres. Era um político ferrenho, audacioso, mas nunca tirou proveito das verbas públicas. Era pobre e desprendido de bens materiais.

Um escritor inconfundível. Notável romancista, ensaísta, contista e historiador. Padre Brandt era um pesquisador de olhos e mente aguçados. Sua obra literária conta com 28 livros divididos em romances, teatro, históricos, ensaios e genealogia. Suas obras já foram objeto de estudos pelo Departamento de Letras da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. São referências obrigatórias em quaisquer pesquisas dedicadas a Arari.

Clodomir Brandt e Silva “faleceu aos 80 anos de idade, em São Luís, no dia 22 de abril de 1998, após longo período de enfermidades e muito sofrimento, deixando para Arari valioso legado intelectual e cultural, reflexo da energia que lhe confere lugar de primazia na literatura arariense. Seu corpo foi recebido na entrada da cidade de Arari por uma multidão de admiradores e fiéis da Igreja Católica. No final da manhã de 23 de abril, a cidade e os cantos silenciaram para a hora do adeus ao Pe. Clodomir Brandt e Silva. Um dos mais comoventes enterros registrados no Arari” (BATALHA, 2011, p. 254).

 

REFERÊNCIAS

BATALHA, João Francisco. Um Passeio Pela História do Arari. São Luís: Lithograf, 2011.

FERNANDES, José. O Universo do Padre Brandt. São Luís: Unigraf, 2012.

 

 

Igarapé do Nema (Foto: Adenildo Bezerra)

A importância dos Igarapés para a manutenção da vida

Os igarapés são pequenos cursos d’água que correm em direção, geralmente do rio. Nosso município é cortado em várias partes por esses “braços” de rio, todos de cursos perenes que alimentam o volume de água do Mearim e servem de vias migratórias para os peixes do rio no período da piracema, quando estes percorrem os igarapés até os lagos e campos baixos para a desova e, assim perpetuarem a espécie.

Destacam-se os seguintes igarapés: Nema, que passa dentro da cidade e desemboca no centro da sede do município, no rio Mearim; Arari, Ubatuba, João de Matos, Arari Açu, Arari-Mirim, Piraíba, Ponte, Barreiros, Curimatá, Itaquipetuba, Brandão, Grilo, Igarapé dos Fernandes, Tororomba, Garrote, Pericau, Charaviscal, etc.

Sobre a importância dos Igarapés, e sobre a tradicional, porém prejudicial, tapagem, o professor Silvestre Fernandes, em seu brilhante tratado sobre “A Baixada Maranhense”, escreveu:

 

“Nos igarapés que funcionam como sangradouros, em certa altura do seu curso, levanta-se uma cerca com talos de pindoba ou varas comuns, estendidas de uma a outra margem. Junto a essa tapagem, à montante, fincam-se dois jiraus, que são os pesqueiros do ‘canto’, como vulgarmente chamam os pescadores.

Uns peixes, que sentem as águas do campo diminuir, procuram os igarapés com o objetivo de ganhar os rios principais.

Reúnem-se em cardumes numerosos. Retidos afinal pela armadilha que previamente foi preparada, são pescados com facilidade. Em geral essas tapagens são públicas e muitos pescadores se servem delas. O primeiro a chegar toma lugar no ‘canto’ e tem a primazia da pesca.

No leito do igarapé costumam deixar cair uma pindoba aberta para, em contraste com o lado escuro, melhor serem destacados os cardumes.

O ‘canteiro’, pescador que se coloca no jirau já referido, assim que percebe a influência de peixe junto ao cercado,assobia, dando o sinal convencional. Lança preste sua tarrafa e os outros o acompanham. Por esse modo apanha-se todo peixe por ali existente.

Depois de duas ou três tarrafadas, voltam à calma.

Ninguém conversa para não espantar os peixes. Em posição atenta, aguardam-se novas oportunidades.

É notável a quantidade de pescado colhido nesse período do (maio a junho) em quase todos os igarapés da zona.

Tal gênero de pescaria é mais abundante à noite.

Há ocasiões em que somente chegam à tapagem curimatãs. Em outras já se pegam bagrinhos, também chamados de capadinhos ou anojados (Pydidium brasiliense), acarás, piaus, mandis e dourados saborosos. Não “raro, porém, o peixe falha um ou dois dias, atemorizado pela intensa perseguição dos pescadores.”

Zeca Baleiro e alunos integrantes da Banda de Música do Colégio Arariense

MUSICALIDADE ARARIENSE

Quando o assunto é musicalidade arariense, não podemos deixar de mencionar o notável José Gonçalves Martins. Tão notável que a sua grande obra musical foi catalogada pelo Padre João Mohana, no seu fantástico livro "A Grande Música do Maranhão". Zé Martins também é patrono da AVL e da ALAC. Neste espaço há um artigo publicado sobre a obra do eminente maestro, intitulado "José Martins, nosso eminente maestro".

Todavia, dedico este arrtigo à nossa MPA – Música Popular Arariense. E, indubitavelmente, um dos maiores nomes da nossa música foi Zezeca Perone.  Um músico nato. Tocava e ensinava a tocar violão e guitarra, era sonoplasta da Prefeitura e animava as missas com o seu violão. Era simples, porém, um cidadão íntegro e conhecedor da arte musical. Fundou os Azulões, grupo musical que foi uma sensação em Arari, juntamente com Pedro Azulão (hoje Pedro Terra), Nonato “Pelhinha” e Paulo Mergeson (in memorian). O Super-homem, Zezeca Perone, deixou uma significativa contribuição à música arariense. Foi tão importante, que hoje existe em Arari um instituto para preservação de sua memória e divulgação da sua obra, denominado Instituto Perone, entidade à qual fui membro-fundador.

Atualmente a nossa música está bem representada. Temos um músico, cantor e compositor de renome nacional. Refiro-me a Zeca Baleiro, grande nome da nossa MPB – Música Popular Brasileira. Autor de canções memoráveis como: Lenha, Samba do Approach, dentre outras. Por duas vezes já presenteou, encantou e emocionou Arari com inesquecíveis shows em praças da nossa cidade. Zeca Baleiro nasceu em São Luís, sim. Mas, viveu durante vários anos aqui em Arari. Conhece a nossa história e a nossa gente como ninguém. Demonstra isto em seus memoráveis artigos que publica no Jornal Academia, periódico da Academia Arariense de Letras, Artes e Ciências (ALAC), na qual é membro fundador, e tem como patrono Zezeca Perone.

Em Arari existem vários artistas populares que vivem da música, seja interpretando canções de consagrados cantores brasileiros ou compondo músicas próprias. Dentre estes artistas destacam-se: Pedro Terra, Manoel Leão, Marquinhos Nunes, Daniel do Arrocha, Sandro Gama (Sambinha), Robson Rubem, Doges, entre outros. Temos, em Arari, também bons compositores  como: Tony Ribeiro, que teve uma música gravada pelo cantor Lairton. Manoel Gama (Samba), Elismar Cruz (Elismar, além de compor, também é interprete), Nhêm, José Maria Costa, dentre outros.

Além destes supracitados, outros ararienses se destacam tocando instrumentos de sopro, podemos citar: Seu Durval (in memoriam), Raimundo Cosme ( Bebê), Brabo, Dudé, Edison  Maia, Adenilton Bezerra, André Batalha, Sidenilson Santos, Marcio Sales, Héliton (Litinho), André Batalha... ofício que aprenderam nas egrégias Escolas de Música do Município, e na Escola de Música Carlos Gomes, fundada e mantida pelo saudoso Pe. Brandt. A escola de música do Padre foi reativada pelo Colégio Arariense, e tem como coordenador e professor o Maestro Raimundo Cosme (Bebê).

Menciona-se aqui outros notáveis como: Senhor Monção e Seu Bina (in memoriam),  Carlos Marins, Seu Carrinho, e outros notáveis. Inúmeros ararienses, músicos, estão a difundir a sua arte pelo Maranhão e Brasil afora. Nas bandas da Polícia Militar e do Exército há muitos músicos de Arari. Citamos: Domingos Sávio (Dudu), que é comandante da banda do Exército. Werbeth Corrêa (Beto) durante muito tempo serviu à banda de música do exército, hoje ele é policial rodoviário federal, mas a arte da música continua com ele. Em outras épocas, quando os bailes, sobretudo os bailes de São Gonçalo, eram frequantes em Arari, tivemos rabequeiros e violeiros de destaque. Cita-se, por exemplo: o Sr. Camilo Cordeiro e o Sr. Adolfo Brito (in memoriam). Hoje há vários ararienses que vivem a dedilhar no violão e dele tiram belos acordes. Pode-se citar: Wascley Araújo e Roberth Francklin, por exemplo.

Prêmio Jovem-Escritor: Uma iniciativa a ser seguida e incentivada em Arari

Em 2006, a ONG – Formação, promoveu um certame literário entre estudantes do ensino médio da Baixada Maranhense, denominado "Prêmio Jovem-Escritor". A finalidade do concurso era estimular a prática da leitura e da escrita entre os alunos dos CEMPs – Centros de Ensino Médio e Profissionalizantes -, que eram, à época, coordenados pela ONG - Formação em parceria com as Prefeituras Municipais da Baixada Maranhense.

Os alunos com os melhores textos, assim como os seus  professores e as suas escolas, foram premiados com computadores, quantias em dinheiro, passagem para o exterior e uma biblioteca e um laboratório de informática para a escola do aluno ganhador. O aluno vencedor do Prêmio foi o arariense William Roney, com a narrativa "Sinal Vermelho". Assim como ele, foram premiadas também a sua professora de Língua Portuguesa, Flávia, e o estabelecimento onde o aluno premiado estudava, a Escola Municipal José Francisco, que fica no bairro do Perimirim. É importante relatar que outros alunos de Arari tiveram boas colocações no certame. Como produto final do projeto, houve a publicação de um livro com as melhores narrativas.

Experiências desse tipo deveriam ser promovidas e incentivadas, sobretudo, pelo Poder Público. Certamente, seria uma maneira de estimular principalmente a juventude para o prazeroso hábito de ler e escrever, uma vez que a leitura e a escrita são boas e viáveis propostas contra o analfabetismo absoluto e funcional. A nossa intensão com a publicação desta matéria é despertar os gestores da Educação para que possam, à luz da boa vontade, realizar algo neste sentido. É necessário viabilizar ações motivadoras e desafiadoras no âmbito educacional. Ações voltadas para o "fazer" em sala de aula. Ademais, a sala de aula é um laboratório, e precisa ser um lugar de significativas experiências.

ARARI das Artes plásticas

As artes plásticas são bastante desenvolvidas em Arari. Dezenas de artistas pictográficos desenvolvem belíssimos trabalhos com pinceis e tintas em ambientes externos e internos, telas, tecidos, painéis, etc.

Destacarei em seguida os pintores, para mim, artistas, que mais se sobressaem e sobressaíram-se nesta Arte, aos que não forem citados, peço desculpas:

Roberth Francklin – uma grande expressão das artes plásticas arariense. Autor de belas telas, que retratam paisagens naturais, casarios, natureza morta, caricaturas, etc. Já montou várias exposições dos seus trabalhos em Arari e na capital do Estado do Maranhão, São Luís. Nestas exposições, Francklin sempre foi destaque. Ministrou vários cursos para crianças e jovens a fim de repassar seu talento para outras pessoas. Indubitavelmente, Roberth Francklin é a nossa maior expressão nas artes plásticas. E figura, a meu ver, como um dos maiores e melhores do Maranhão.

Jocei Jardim – outro bom artista arariense. Trabalha com pintura de letreiros, painéis, tecidos, ambientes externos e internos e desenhos em geral. Atualmente, o eminente artista dedica-se à causa ambiental. Responde  pela Secretaria de Meio Ambiente de Arari e desenvolve trabalhos na área cultural, através do Projeto Rabisco e outras entidades.

Everaldo, mais conhecido como Dedéco, também se destaca na pintura de letreiros, painéis, tecidos e desenhos em geral.

Gal Santos (in memoriam) era um artista de talento notável. Desempenhava a pintura como forma de fugir do stresse da vida moderna e como terapia para a mente e para o espírito. Faleceu em 2008 após um trágico acidente automobilístico, deixando belíssimas telas pintadas. Gal Santos foi escolhido como patrono da ALAC (Academia Arariense de Letras, Artes e Ciências).

 

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ADMINISTRADORES ARARIENSES

Todos os administradores de Arari ao longo dos nossos 150 anos de emancipação política (1864-2014).

Abaixo citamos todos os nobres Alcaides com a duração de seus respectivos mandatos:

  • José Antonio Fernandes                         1864-1869
  • José Antonio de Oliveira                         1869-1873
  • Felipe Antônio Chaves                            1874-1875
  • Francisco Pimenta Bastos                      1875-1878
  • José Pedro de Sousa assume a presidência do Conselho de Intendência, em 21 de Janeiro de 1890, um ano após a Proclamação da República. No mesmo ano, 1890, o Cel. Pedro José de Ericeira assume a Presidência do Conselho de Intendência Municipal. Em 11 de Abril de 1890, o Major Pedro Nunes Cutrim (Major Cutrim) assume a presidência do referido Conselho. Ainda no ano de 1890, dia 2 de agosto, quem assume a presidência do Conselho de Intendência é o senhor Filomeno dos Anjos Chaves.

Em 1891, quem assume o Conselho de Intendência é Rafael Antônio Chaves Fernandes. Esses “Conselhos de Intendência” eram formados por vários outros homens. Todavia, preferimos citar os que tinham mais influência política no lugar.

  • Antonio Francisco Cardoso                     1892...
  • Francisco de Paula Bogéa elege-se Intendente de Arari, sendo o primeiro administrador eleito após a extinção dos Conselhos de Intendência. Francisco de Paula governou entre os anos de         1892-1895.
  • Vicente Ferreira Rodrigues                               1896-1900
  • Belizário Duarte Fernandes                               1901-1904
  • Raimundo Antonio da Costa Fernandes             1905-1908
  • Belizário Duarte da Costa                                 1910-1912
  • Marcelino Eduardo Chaves                                1913-...
  • Lucílio Quintino Fernandes                                1913-1915
  • João de Lemos                                                 1916-1918
  • Herculano Olimpio Ericeira                                1919-1921 (Manoel Rodrigues Numes assumiu, temporariamente, em 1919)
  • Antônio Anísio Garcia                                       1921-1925
  • Mateus Vieira Oliveira                                       1925-1930
  • Cipriano Ribeiro dos Santos                              1930 (não terminou o mandato por causa da Revolução de 1930)
  •  Gentil Gomes                                                 1930 (ficou apenas quatro meses no poder)
  • Virgílio de Almeida                                           1931 (foi exonerado do Cargo de Prefeito em 18 de agosto pelo então governador do Estado, Joaquim de Aquino Corrêa);
  • Custódio Chaves Bogéa                                    1931-1935
  • Pedro de Alcântara Fernandes                          1935-1936     
  • Antônio Anísio Garcia                                       1936-1937
  • Antônio Anísio Garcia                                       1937-1944
  • Durval Costa Freire                                           1944...
  • Antônio Anísio Garcia                                       1944...                       

                                       

  • Ari Guterres                                                        ficou no cargo entre 23 de novembro de 1944 e 27 de março de 1945.

 

  • Antônio Anísio Garcia                                        1945...

 

  • Sebastião Leão da Silva (Bastico Silva)              1945

 

  • Antônio Anísio Garcia                                     1945-1948
  • José Aureliano do Vale                                    1948-1950
  • Justina Fernandes Rodrigues                           1950-1955
  • Antonio de Jesus dos Santos                           1955-1960
  • Maria Ribeiro Prazeres                                     1960-1965
  • Raimundo Sousa Fernandes                             1965-1970
  • Raimundo dos Mulunduns Prazeres                   1970-1974
  • Benedito de Jesus Abas                                   1974-1977
  • Domingos Aprígio Batalha                                 1977-1982
  • Leão Santos Neto                                             1983-1988
  • Horácio da Graça de Sousa Filho                       1988-1992
  • Leão Santos          Neto                                    1993-1996
  • Rui Fernandes Ribeiro Filho                               1997-2004
  • José Antonio Nunes Aguiar                                2005-2006 (não concluiu o mandato por ter sido cassado pela justiça, acusado de abuso de poder econômico)
  • Leão Santos Neto                                             2006-2012
  • Djalma Melo Machado                                       2013-2016

 Constata-se  na relação acima, que tivemos apenas duas prefeitas. Outro fato curioso é que tivemos apenas um prefeito cassado em toda história político-administrativa do município de Arari. Antônio Anísio Garcia foi sete vezes prefeito de Arari, duas vezes eleito e cinco vezes nomeado por Interventores estaduais, durante o chamado Estado Novo. Durante este “Regime”, a alternância de prefeitos era constante. O mandato do atual prefeito, Djalma Melo, está sendo contestado na Justiça.

 

REFERÊNCIA

BATALHA, João Francisco. Um Passeio Pela História do Arari. São Luís: Lithograf, 2011, p. 134, 216, 217, 218, 221 e 222.

 

 

A REVOLUÇÃO GETULISTA DE 1930 E O ESTADO NOVO E SUAS IMPLICAÇÕES POLITICO-ADMINISTRATIVAS EM ARARI

 Getúlio Vargas realiza a Revolução de 1930, através de um golpe militar, e impede a posse do então presidente eleito Júlio Prestes, que fora exilado em Portugal. Vargas passou a nomear interventores para todos os Governos Estaduais, com exceção de Minas Gerais. Esses interventores eram na maioria tenentes que participaram da Revolução de 1930. Nos municípios, os prefeitos também passaram a ser nomeados pelos interventores estaduais.

Em 1937, é fundado o chamado Estado Novo, que perdura até o fim do ano de 1945. Este período foi caracterizado pela centralização do poder, nacionalismo, anticomunismo e por seu autoritarismo. Durante o Estado Novo os interventores estaduais, assim como os prefeitos municipais continuaram a ser nomeados.

Em Arari, a alternância de prefeitos era constante. Bastava o alcaide manifestar alguma opinião contrária ao regime, que era imediatamente exonerado do cargo. Desse modo, a partir de 1930 tivemos vários intendentes substituídos por quaisquer motivos. O primeiro administrador arariense a ser destituído foi o Sr. Cipriano do Santos, que havia sido eleito em 12 de outubro de 1929. Para o lugar de Cipriano dos Santos foi nomeado o tenente Gentil Gomes, que governou entre novembro de 1930 e fevereiro de 1931.

Em fevereiro de 1931 o Sr. Virgílio de Almeida foi nomeado prefeito e administrou o município de fevereiro de 1931 a agosto de 1931. Em 18 de agosto de 1931, Virgílio foi exonerado e em seu lugar foi nomeado Custódio Chaves Bogéa, que ficou no cargo de prefeito até junho de 1935. Entre junho de 1935 e outubro de 1936, Pedro de Alcântara Fernandes (Pemba Fernandes) que assumiu o cargo.

Daí, Pemba Fernandes foi exonerado e em seu lugar foi nomeado Antônio Anísio Garcia, que ficou no poder entre 21 de junho de 1936 a 12 de agosto de 1937. Nas eleições municipais de 1937, ano em que iniciou o Estado Novo, Antônio Anísio Garcia é eleito prefeito e governa até o ano de 1941. Em 1941, Antônio Garcia é obrigado a deixar o cargo para responder inquérito administrativo por irregularidades administrativas. Para o seu lugar foi nomeado o coletor Durval Costa Freire. Trinta e três dias depois Garcia retorna à prefeitura e administra o município até 23 de novembro de 1944.

Em 23 de novembro de 1944 Garcia é exonerado pelo interventor Paulo Ramos. Neste mesmo dia, 23, Ary dos Santos Guterres, capitão da Polícia Militar do Maranhão, é nomeado prefeito. Ary Guterres governa até 27 de março de 1945. Em Março de 1945, Antônio Anísio Garcia é novamente nomeado prefeito e fica no cargo até o dia 22 de novembro do referido ano. Entre novembro de 45 e fevereiro de 1946 quem é nomeado prefeito é o Sr. Sebastião Leão da Silva (Bastico Silva). Finda o Estado Novo. Bastico Silva é exonerado pelo interventor estadual Saturnino Belo. Saturnino Belo nomeia Antônio Anísio Garcia prefeito de Arari. Garcia fecha o ciclo de prefeitos nomeados, e governa até 22 de janeiro de 1948. Em 48, volta o “Regime Constitucional”. Em Arari o Sr. José Aureliano do Vale é eleito prefeito e governa até 1950. Daí em diante, a vida política e administrativa de Arari segue, com eleições até hoje...

 

REFERÊNCIA

BATALHA, João Francisco. Um Passeio Pela História de Arari. São Luís: Lithograf, 2011, p. 134 e 218.

(Todas as informações foram tiradas da obra supra citada). Recomendamos a leitura deste belíssimo trabalho, produzido pelo arariense João Batalha.

 

 

ARARI: Setor Secundário da economia

O setor secundário da economia é formado pela indústria ou atividade industrial, que é a transformação da matéria prima – produtos extraídos da natureza usados para fabricar outros produtos na indústria – em produtos industrializados, ou seja, com o uso de máquinas. Os artefatos são confeccionados em larga escala e em série, seguindo um padrão pré-fabricado pelo industriário.

A indústria arariense ainda é incipiente e pouco desenvolvida. Em Arari existem apenas indústrias de transformação (aquela que transforma a matéria-prima em produtos prontos para o consumo). Os principais estabelecimentos industriais implantados no município de Arari são: usinas de beneficiamento de arroz (estas, devido a expansão da rizicultura comercial, e, consequentemente, das indústrias  de beneficiamento e empactamento do arroz, perderam mercado e estão quase extintas no município); há uma micro-fábrica de mesocarpo de babaçu (não está mais em funcionamento), olarias, casas de farinha, popularmente chamamos de "casa de forno", que fazem a farinha de mandioca, e são tipicamente rurais; indústrias de panificação (padarias); fabricação de sorvetes e outros subprodutos derivados do leite e de polpa de frutas, pequenas fábricas de vassouras, metalúrgicas e vidraçarias de pequeno e médio porte, funilarias, uma pequena gráfica (tipográfica), movelarias também de pequeno e médio porte, estaleiro para fabricação e reparos de pequenas embarcações – esta atividade, outrora, já foi amplamente difundida em Arari no tempo da navegação fluvial – oficinas de tapeçaria para reforma de estofados como sofás, poltronas e colchões; pequena fábrica de envasamento de querosene, oficinas de confecção e restauração de calçados em couro, malharias, além de oficinas de confecção de celas de arreio, espanadores, cestas e outros produtos fabricados tendo como base o couro, a palha, uso de máquinas simples e a habilidade do fabricante.

Campos inundáveis, singularidades da Baixada Maranhense

Os campos inundáveis são formações características da paisagem da Baixada Maranhense, uma combinação do relevo de planície, sazonalmente inundável de seis em seis meses, com uma formação vegetal singular composta por gramíneas, ciperáceas e macrófitas aquáticas.

As gramíneas mais comuns neste tipo de ecossistema são: Canarana (Echinochloa spectabile Berg.), capim-de-marreca (Paratheria prostrata Griseb) e arroz-do-campo (Luziola spruceama Benth.). As Ciperáceas junco (Cyperus interstincta) e capim-navalha (Cyperus meyenianus Kunth) e as Macrófitas aquáticas como a tripa-de-vaca (Neptunia oleraceae Lour.), capim-boiador (Paspalum repens Bergius), mururu (Eichornia crassipes Mart.), samambaia (Cabomba piauhyensis Gardn.) (PINHEIRO; ARAÚJO; AROUCHE 2010, p. 14).

Alguns arbustos também são formações vegetacionais dos campos inundáveis como: o mata pasto (Senna alata), o algodão-brabo (Ipomoea fistulosa Mart.). Na Baixada Maranhense os campos inundáveis são de grande extensão, ocupando o espaço em todos os municípios que compõem esta região de uma complexa interface de ecossistemas (PINHEIRO; ARAÚJO; AROUCHE 2010).

 

REFERÊNCIA

PINHEIRO, Claudio Urbano B; ARAÚJO, Naíla Arraes de; AROUCHE, Galdino Cardinal. Plantas Úteis do Maranhão: Região da Baixada Maranhense. São Luís: Ed. Aquarela, 2010.

  Arari  
Faixa etária Homens Mulheres        
0 a 4 anos 1.315 1.279        
5 a 9 anos 1.488 1.332        
10 a 14 anos 1.561 1.498        
15 a 19 anos 1.553 1.537        
20 a 24 anos 1.468 1.430        
25 a 29 anos 1.216 1.287        
30 a 34 anos 1.041 1.033        
35 a 39 anos 883 925        
40 a 44 anos 742 757      
45 a 49 anos 620 678        
50 a 54 anos 621 577        
55 a 59 anos 510 482        
60 a 64 anos 379 379        
65 a 69 anos 287 300        
70 a 74 anos 283 260        
75 a 79 anos 166 196        
80 a 84 anos 107 111        
85 a 89 anos 50 63        
90 a 94 anos 21 35        
95 a 99 anos 1 10        
Mais de 100 anos 3 4        

FONTE: IBGE, CENSO DEMOGRÁFICO 2010.

ARARI: números populacionais

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através do censo demográfico de 2010, o município de Arari possui uma população total de 28.488 habitantes (ver tabela acima). Deste total, 14.315 são homens; e 14.173 são mulheres. Sendo que 17.483 pessoas vivema zona urbana e 11.005 vivem na zona rural. A população arariense na faixa etária de 0 a 14 anos é compreendida por 4.364 homens e 4.109 mulheres, num total de 8.473 pessoas. A população de 15 a 24 é formada por 3.021 homens e 2.967 mulhres, totalizando 5.988 pessoas. Dos ararienses adultos, 7.101 são homens e 5.744 são mulheres, compreendendo um população adulta total de 12.845 habitantes. A população arariense idosa é formada por 1.297 homens e 1.358 mulheres, constituindo um total de 2.655 moradores residentes. Arari possui uma população jovem, no entanto, ainda segundo o IBGE, a população idosa vem crescendo. Isso porque as condições de vida vêm melhorando ano após ano no país.

Retorno à “Boca” do Mearim

No dia 7 de dezembro de 2013, o professor Isidoro Filho e eu resolvemos retornar á foz do rio Mearim para realizar observações in loco sobre as condições ambientais do lugar. Nosso objetivo era verificar a salinidade da água, o assoreamento do leito do rio, a erosão das margens e a condição da mata ciliar, representada neste local por manguezais.

Partimos do povoado Curral de Igreja, às 6h15min, em uma canoa com motor de rabeta, conduzida pelo senhor “Carrinho”, pescador mearinense e morador do povoado. Depois de seguirmos rio abaixo por uma hora e vinte minutos, chegamos à “Boca” do Rio. Nossa parada foi na confluência do Rio Pindaré com o Mearim. Ao chegar deparamo-nos com um cenário totalmente diferente daquele que havíamos visto há três anos. Uma imensa coroa (crôa) se formou no leito do rio, dificultando a sua vazão com a maré baixa.

Resolvemos descer da embarcação e percorrer, a pé, a super crôa. Constatamos que ela possuía, aproximadamente, 500 m de largura, com quilômetros de extensão. A profundidade com a maré jusante é de 80 cm, ocasionando sérios riscos à navegação, mesmo para uma embarcação de pequeno porte. Neste trecho, a salinidade da água é intensa. Haja vista que com uma profundidade e uma vazão muito baixas, o rio não tem força para empurrar a água do oceano que possui uma densidade muito maior. Assim a água salgada avança com mais facilidade rio adentro enquanto a maré está “vazando”.

Outro fenômeno que nos surpreendeu foi o assoreamento em larga escala próximo às margens. Esse assoreamento se inicia no povoado Tabocal e segue rente à margem esquerda, até a foz do Pindaré. Num percurso de 4 km. A erosão das margens continua ocorrendo com frequência. Todavia, constatamos que isso é um processo natural, pois a ação das marés é muito grande no local.

 A vegetação, formada por manguezais, não consegue conter a ação destruidora das marés, sobretudo quando são de pororoca. Por outro lado, são as marés que garantem a renovação das águas e também servem para diminuírem a quantidade de coroas que se formam no local. Com a maré à montante a “Boca” do Rio se transforma numa imensidão aquática. A sua largura ultrapassa os 650 km e a sua profundidade chega, aproximadamente, aos 20 m.

A “Boca” do Rio Mearim é um lugar exuberante. Devido a sua proximidade com o Atlântico, venta bastante. Os ventos chegam a 50 km/h, aproximadamente. O que deixa a temperatura amena. Mesmo debaixo de um sol escaldante não sentimos calor. No entanto, deve-se estar protegidos com camisa de mangas compridas, chapéu e protetor solar.

 

 

 

 

O Extrativismo animal em Arari

No município de Arari, o extrativismo animal é desenvolvido através da pesca, pela coleta in natura do babaçu, da jussara (sobretudo na região de Moitas); do tucum, do marajá  e, também, pela caça.

Pesca – a atividade pesqueira ainda é praticada de forma primitiva, com uso de instrumentos artesanais como rede de arrasto, tarrafas, paritá, "choque", calabouço, caniço, linha ou corda (uso do anzol), tapagem, curral, mitra, etc., realizada no rio Mearim, igarapés, lagos e nos campos inundáveis, em épocas de cheias. Capturam-se várias espécies para fins alimentares, ou para a venda sob forma de escambo, como: Curimatá, traíra, carambanja, jeju, piau, pescada, surubim, bagre, tamatá, piranha, branquinha, bodó, etc. No livro “Peixes do Mearim”, o pesquisador da fauna ictiológica arariense Édem do Carmo Soares, fez uma ampla catalogação dos peixes encontrados no Mearim. Vale a pena conferi esta obra espetacular. A pesca é de grande importância para a população local, sobretudo para a população rural, na qual o peixe é o principal alimento.

Coleta in natura de frutos nativos - a coleta de frutos nativos é praticada em toda a extensão do nosso município. O babaçu é o fruto mais coletado pela populaçõa rural. Do babaçu aproveita-se quase tudo. A jussara é coletada principalmente na região de Moitas, uma região formada por dezenas de povoados, onde o solo favorece a sobrevivência desse tipo vegetal. O tucum e o marajá, por exemplo, também são coletados em toda a extensão do território arariense. Esse frutos são uma fonte de renda extra para os habitantes da zona rural. Muitos deles coletam as espécies e vendem na popular Feira do Produtor existente semanalmente na sede do município.

 Caça – embora cada vez mais rara, pois é proibida por Lei, a caça ainda é praticada no município para o complemento alimentar das pessoas da zona rural.

Hoje, o principal alvo dos caçadores são as aves, que, apesar de haver uma diminuição das espécies, ainda encontram nambu, socó, gueguéu, marreca, siricora, tamatião, jaçanã, perdiz, pecuapá, inhumas, maguari; e até mesmo o jaburu ainda pode ser encontrado nos locais mais remotos de Arari, dentre outras espécies em menor quantidade e tamanho.

 

ARARI: aspectos educacionais

Para que um povo se desenvolva e se emancipe, é necessário que possua um bom sistema educacional, caso contrário não conseguirá sair da condição de pedinte e de dependência.

Qualquer indivíduo politizado é capaz de perceber a importância da educação como instrumento de reconstrução social, desenvolvimento da cidadania plena e de qualidade de vida. A educação é, comprovadamente, a melhor forma de combater a injustiça social, a submissão e a miséria. Países que investiram e acreditaram no poder transformador da educação, como: Japão, China, Finlândia e Coréia do Sul - alcançaram rápido desenvolvimento social e econômico.

Em tempos de avanços tecnológicos monstruosos como neste limiar de século XXI, os indivíduos precisam está capacitados e qualificados para o mercado de trabalho. A falta de instrução dificulta a vida das pessoas. A tendência é que as empresas deixem de empregar um trabalhador que não pense.

 A grande revolução para melhorar a qualidade do ensino no Brasil precisa começar pelos municípios. Assim, Arari precisa, urgentemente, iniciar a sua revolução pela melhoria da qualidade da educação básica. Nesse contexto, o setor de educação do município de Arari conta com escolas da rede pública (municipal e estadual) e da rede particular de ensino.

As escolas que ficam na dependência administrativa do governo do Estado, são as de Ensino Médio, sendo mantidas 05 escolas na zona urbana, com 2.401 alunos matriculados no total (IBGE 2010) e distribuídos pelas escolas, Centros de Ensino Médio: Leão Santos, Cidade de Arari (popular CEMA), Dr. Milton Ericeira, Arimatéa Cisne e Gregória Prazeres.

A Municipalidade mantém 75 escolas, sendo 12 na zona urbana e 63 na zona rural. Na rede municipal de ensino estão matriculados cerca de  6.328 alunos, onde 3.684 estudam na zona urbana; e 2.644 alunos estudam na zona rural. Existem, atualmente, 444 professores concursados atuando no sistema educacional público municipal.

A rede particular de ensino é formada por 03 escolas, a saber:

Colégio Arariense, de propriedade da ADC (Associação da Doutrina Cristã), a pioneira na educação do município, fundada pelo saudoso Padre Brandt. A escola conta atualmente com 152 alunos matriculados no ensino médio.

Colégio Comercial de Arari, de propriedade da Fundação Cultural de Arari, fundada pelo antigo GAE (Grêmio Arariense dos Estudantes). Conta com 125 alunos matriculados no ensino médio regular e supletivo de nível  médio.

Escola Paulo Pereira Rêgo e Escolinha Rei Davi (educação infantil), de propriedade da ACB (Associação Beneficente Cristã), que conta com 446 alunos no ensino fundamental – 1° ao 5° ano e educação infantil.

Em Arari, ainda existem várias escolinhas particulares que auxiliam na preparação de lição e no reforço escolar. Indubitavelmente estas escolinhas são importantes para a solidez da educação dos pequenos arariense, sobretudo. Há programas de alfabetização, como o Brasil Alfabetizado, por exemplo.

O Ensino Superior, no município, fica a cargo do CEERSEMA (Centro Ecumênico de Estudos Religiosos Superiores do Estado do Maranhão), que oferece cursos de Pedagogia e Teologia, onde inúmeras pessoas, sobretudo professores, já concluíram o curso de graduação.

Atualmente, está funcionando em Arari, com parceira entre Estado e o Município, um polo da Universidade Virtual do Maranhão – UNIVIMA, e da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, para ampliar e desenvolver, ainda mais, o ensino de nível superior em Arari. No polo da Universidade Estadual do Maranhão, em Arari, funciona o Programa Darcy Ribeiro, que promove cursos de licenciatura nas áreas de Matemática, Letras, Biologia, Química, Física e História; e o polo da Universidade Aberta do Brasil – UAB – que promove vários cursos acadêmicos em Administração Pública, Pedagogia, Filosofia e também cursos técnicos à distância, através de um Ambiente Virtual de Aprendizagem.

Ademais, conta-se com o projeto de capacitação continuada de formação de professores de educação infantil, do 1° e do 5° ano do fundamental: Escola Que Vale. Projeto implantado e desenvolvido pela empresa de mineração Vale em parceria com a Prefeitura Municipal de Arari, que vem ano após ano melhorando a alfabetização das crianças e desenvolvendo novas competências e habilidades pedagógicas.

.Dando suporte à educação no município, contamos com três bibliotecas: uma da ADC, a Biblioteca Justina Fernandes; outra da Fundação Cultural em parceria com o SESI – Serviço Social da Indústria – que recebeu o nome do escritor e intelectual arariense, José de Ribamar Fernandes; e outra pública, mantida pelo Poder Público Municipal, a Biblioteca Municipal Padre Brandt;  além do Farol da Educação Professora Raimunda Ramos, um projeto do Governo do Estado do Maranhão; a Casa do Professor “Maria Teresa de Jesus Garcia Santos”, que conta com auditória para reuniões, cursos e convenções; biblioteca e acervo artístico interessantes. Essa louvável iniciativa foi realizada em parceria da Prefeitura de Arari com a Fundação Vale e o CEDAC. As ações educativas realizadas através do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil – PETI, também são dignas de destaques. Assim como outros projetos educativos e de inclusão social que contribuem para a formação das nossas crianças. Nesse caso, vale apena ressaltar o Projeto Rabisco, da associação Arariense Unidos pela Arte – AUPA. As oficinas de cultura promovidas pelo Projeto Mais Cultura, Projeto Magá, através do Instituto Perone, também contribuem para a formação educacional e cultural dos ararienses.

 

 

Pecuária arariense

 Pecuária é a criação de animais. A pecuária, portanto, não é simplesmente a criação de bovinos, mas, de bubalinos, suínos, caprinos, equinos, ovinos, etc. A piscicultura, a apicultura e a avicultura também são  atividades pecuaristas exercidas no município.

A pecuária pode ser desempenhada sob duas formas: extensiva e intensiva.

A pecuária extensiva é a criação de animais soltos no campo. Neste tipo de atividade os animais são criados em áreas cercadas, com acompanhamento veterinário, rastreamento produtivo, inseminação artificial e até com melhoramento genético. Nesse tipo de criação, a Biotecnologia – ramo científico caracterizado como tecnologia desenvolvida com base na Biologia – é muito utilizada, sobretudo, na questão do melhoramento genético e na formação de embriões, destinados a comercialização, principalmente ao mercado externo.

Porém, em Arari, apenas a pecuária extensiva é praticada. O gado é criado nos grandes campos de pastagem. Na verdade nos imensos campos alagáveis que circundam o território arariense. Poucos pecuaristas do município já criam o gado em áreas cercadas, com assistência veterinária e pastagens melhoradas.

A atividade pecuarista, em Arari, é baseada na criação de bovinos, suínos, caprinos, eqüinos e asininos. A piscicultura vem ano após ano crescendo intensamente, uma vez que no município existe um megaprojeto particular de criação de peixes, visando a comercialização em larga escala. Além de vários outros pequenos piscicultures que ano a pós ano passam a investir nessa atividade. A avicultura e a apicultura também já são exercidas no município, só que de maneira ainda sutil.

Na tabela que se segue, apresentamos a quantidade de animais criados em Arari – com base no ano 2011.

 

ANIMAIS

QUANTIDADE (cabeças)

Bovinos

44.244

Suínos

10.341

Bubalinos

4.103

Eqüinos

1.160

Caprinos

930

Ovinos

720

Asininos

140

Fonte: IBGE 2011

 

JUSTINA FERNANDES RODRIGUES: benemérita prefeita arariense

Justina Fernandes era filha de João Batista da Mata Fernandes e de Alice Adélia Garcia, que uniram-se em matrimônio em 30 de julho de 1901 e tiveram, além de Justina Fernandes, outros 14 filhos, sendo a prole formada por cinco homens e dez mulheres. Era neta do tabelião João Inácio Garcia, sobrinha do mandatário arariense, Antonio Anísio Garcia, grande líder político da nossa terra no século XX. Portanto, a nossa insigne gestora tinha, de berço, o dom de “viver para a política, e não da política” (WEBER, 2004, p. 68).

Ela “foi batizada em Arari no dia 16 de agosto de 1909, com cinco meses de idade, sendo seus padrinhos o Capitão Pedro Leandro Fernandes e Inês da Graça Fernandes Garcia” (ERICEIRA, 2012, p. 181). Casou-se com o seu primo Pedro Garcia Rodrigues. Tiveram um casal de filhos. A menina faleceu com alguns meses de idade, o menino faleceu já adolescente, com 15 anos de idade.

Justina Fernandes morava e tinha comércio na Rua João Inácio Garcia, local em que atualmente fica o memorial Padre Brandt. Descendente de família e casada com criador de gado, logicamente, Bembém também era pecuarista. Ficou viúva em 1942, aos 33 anos de idade. Com o falecimento do seu esposo foi morar em São Luís. Depois do seu mandato de prefeita foi morar no Rio de Janeiro, onde faleceu vitimada por um câncer no estômago, no romper da aurora, do dia 8 de janeiro de 1959. Se sepultamento aconteceu no cemitério do Gavião, em São Luís.

Durante a vigência do chamado Estado Novo no Brasil, que perdurou até o final do ano de 1947, a alternância de prefeito em Arari era constante. Desse modo, pairava uma instabilidade política no Município. Foi então que em 1950, o Padre Clodomir Brandt e Silva teve e feliz ideia de lançar a candidatura de Justina Fernandes Rodrigues, que na ocasião residia em são Luís, à prefeitura de Arari, pelo Partido Social Progressista - PSP. O seu companheiro de chapa foi o Sr. Antonio de Jesus dos Santos (Tonico Santos), que é pai do cantor Zeca Baleiro, nosso companheiro nessa Confraria, e juntos venceram a eleição contra o Cel. Cipriano Ribeiro dos Santos. Após 27 anos de domínio político exercido pelo Sr. Antonio Anísio Garcia, a oposição, finalmente, triunfaria em Arari.

Nesse mesmo pleito, de 1950, foram eleitos os seguintes vereadores: “Hildo de Hungria dos Santos, PSP; Inácio Custódio Batalha, PST; Leandro Pimenta Bastos, PTB; Leonília da Conceição Ericeira Leite, PTB; Manuel Fernandes Ribeiro (Nezico Ribeiro), PSP; Manoel de Sá e Silva, PST; e Vicente Matos Galvão, PST. Os anos de 1950 foram de significativas mudanças para Arari, com a profícua administração da prefeita Justina Fernandes Rodrigues. Iniciava-se, assim, uma nova era na administração pública arariense, marcada por um programa desenvolvimentista e de reformas sociais” (BATALHA, 2011, p. 139).

Justina Fernandes deu um novo panorama ao município. Seu governo se fez presente tanto na sede quanto na zona rural. Construiu estradas; Construiu o cemitério local; construiu escolas; pontes e aterrados; realizou piçarramento de ruas; adquiriu com recursos próprios um caminhão para prestar serviços à população mais carente; assentou em Arari o primeiro médico que residia no próprio município, o doutor José Leão; dotou Arari de energia elétrica, está obra progressista foi inaugurada em 22 de novembro de 1953, às 18h30min, com grande festividade na cidade. Decerto, esta foi a obra mais importante da sua profícua gestão. Nesse mesmo dia, foi inaugurada também a estrada Arari-Miranda. No mandato de Bembém, foram construídas as estradas vicinais de Bonfim e de Moitas.

No meio rural, a eminente gestora realizou uma expoente reforma agrária em Arari. Construiu cercados para lavradores dos povoados Bonfim, Curral da Igreja, Barreiros, Trizidela e Santa Inês, garantindo, dessa forma, áreas de trabalho aos trabalhadores rurais locais; distribuiu bolas de arame farpado aos pequenos lavradores do município, em áreas não atendidas pelos cercados. Dinamizou a gestão pública, mudando a estrutura administrativa do município, colocando-a em clima de desenvolvimento.

Dentre outras obras, Justina Fernandes construiu açude no Lago da Morte; elevou em percentuais quantitativos e qualitativos o ensino primário na sede e em povoados. Recuperou áreas de Centrinho, Jenipapo, Santa Rosa, Morro Grande, Cornélio e Lago do Coco, que estavam sendo invadidas pelos municípios de Itapecuru Mirim e Cantanhede. O governo de Bembém também foi marcado por outras iniciativas: colaborou com os projetos da Associação da Doutrina Cristã (ADC); colaborou com a construção da Igreja Matriz; o seu apoio foi fundamental para a fundação da Cooperativa Mista Agropecuária de Arari Ltda; colaborou, ainda, na criação da Escola de Artes Gráficas Belarmino de Matos, de propriedade da ADC.

Com tantos feitos e obras significativas, Bembém Fernandes deu uma lição a todos, de que quando se quer fazer o melhor basta, simplesmente, fazer o melhor para o povo. Justina Fernandes era uma mulher de ação. Certamente a nossa saudosa e benemérita prefeita só conseguiu realizar grandes feitos porque teve planejamento, pés no chão e vontade de ver seu povo feliz e vivendo com educação e qualidade de vida. Observa-se que Justina Fernandes foi prefeita entre 31 de janeiro de 1951 a 31 de janeiro de 1956. Se a nossa respeitável prefeita realizou tantas obras lá na década de 50, imaginem se ela fosse gestora pública nos tempos hodiernos.

Em 1953, no profícuo mandato da nossa notável prefeita, foi realizada em Arari, entre os dias 22 e 25 de agosto a “I Semana Rural do Maranhão”. Um megaevento que teve exposições de animais, cereais e frutas, palestra de diversas autoridades, a presença de Dom José Delgado; Arcebispo Metropolitano do Maranhão; Dom Eliseu Mendes, Bispo de Fortaleza; Eugênio Barros, governador do Estado do Maranhão, além de outras autoridades locais e de outros lugares. Toda a imprensa maranhense esteve em Arari nesses dias, fazendo a cobertura do grande acontecimento no Estado naquele ano.

Mas o governo da prefeita Bembém não foi só de paz e tranquilidade, pois a política sempre foi aguerrida e, muitas vezes, suja, em Arari. No decorrer do seu mandato ocorreu, em outubro de 1954, o lamentável episódio do fuzilamento da igreja e da Casa Paroquial por elementos da polícia do Estado, vindos da capital para recuperar as armas tomadas aos policiais da cidade e supostamente entregues ao Padre Brandt, que originou uma crise política quase transformada em tragédia, evitada graças à boa condução do conflito pela prefeita. Bembém, que, mesmo fazendo oposição ao governo do Estado, tinha o apoio popular, e não se rendeu. De várias maneiras buscou o entendimento através do diálogo para a solução do tal quase funesto impasse.

 

REFERÂNCIAS

BATALHA, João Francisco. Um Passeio Pela História do Arari, São Luís: Lithograf, 2011.

ERICEIRA, Marise. Raízes de Arari. São Luís: Unigraf, 2012.

WEBER, Max. Ciência e Política, duas vocações. São Paulo: Martin Claret, 2004.

Sapucaia

A sapucaieira (Lecythis pisonis Camb.). Pertence à família Lecythidaceae, da mesma  família botânica da castanha-do-brasil (ou do Pará) e dos jequitibás. Recebe outros nomes, dependendo da região como: castanha-sapucaia e cumbuca-de-macaco. Dessa forma, a árvore distribui-se geograficamente pelos estados do PA, AM, AC, RO, MA, PI, RN, PB, CE, BA, MG, ES e RJ. A sapucaia pode ser encontrada, então, na Mata Atlântica e na Amazônia. É uma árvore nativa e endêmica do Brasil.

A nossa majestosa sapucaieira chega a atingir 20 ou 30 m de altura e tronco com cerca de 90 cm de diâmetro. O seu tronco é cilíndrico, reto e comprido. A casca é acinzentada, grossa e com fissuras profundas. As folhas são de consistência fina, lisas e de cor levemente rósea quando jovens. As flores são lilás ou roxas e muito perfumadas. O fruto, a sapucaia, é grande, de consistência semelhante à madeira (do mesmo tamanho ou maior que um coco-verde) e pode pesar 2,5 kg. Esse fruto é como urna “cumbuca” virada para baixo com uma tampa. Daí, pode-se concluir que, o nome sapucaia vem do Tupi e provavelmente quer dizer “arvore-de-cumbuca”. Quando fica maduro a tampa cai e expõe as sementes. Cada fruto produz entre 20 e 30 sementes que possuem em sua base uma estrutura adocicada e macia e é apreciada, praticamente, por todos os animais e inclusive pelo homem, e são protegidas por uma casca dura e de cor escura. 

 Depois de descascadas as sementes são comestíveis da mesma forma que a castanha-do-brasil (ou do Pará) e com o mesmo valor nutricional.  A madeira da sapucaieira é pesada, dura e resistente, com boa durabilidade. É utilizada principalmente para obras externas como postes, vigas, alicerces de pontes, portas, janelas, carrocerias etc. Na medicina alternativa, a casca é utilizada para curar tosses e, também, com o óleo extraído das sementes, usa-se para baixar a taxa de glicose no sangue. Os indígenas, por exemplo, utilizam os frutos para vários fins domésticos como, vasos de plantas, “cumbuca” para guardar pequenos objetos, pegar água etc. 

Outra característica da imponente e prestimosa árvore é que ela é excelente para áreas degradadas que precisam ser revitalizadas, por atrair diversos animais como macacos, aves, morcegos, pacas e cutias, etc. O município de Arari possuía uma grande quantidade de sapucaieiras, no entanto, com o desmatamento descontrolado, as sapucaieiras diminuíram consideravelmente atualmente. Em pouquíssimos povoados ainda podemos encontrar a apreciada e saborosa sapucaia. Fui em um local denominado de Sapucaia, bem próximo à sede do município de Arari (na verdade a Sapucaia já é um bairro arariense) e não encontrei nem vestígios do fruto sapucaia por lá.

 

REFERÊNCIAS

LORENZI, H. Árvores Brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil, vol. 1. 4ª ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2002.

PINHEIRO, Claudio Urbano. ARAÚJO, Naíla de & AROUCHE, Galdino Cardinal. Plantas Úteis do Maranhão – Região da Baixada Maranhense. São Luís: Editora Aquarela, 2010.

(DEDICO ESTA PUBLICAÇÃO À MINHA IRMÃ, MARIA ALICE BEZERRA. MULHER ÍMPAR, MOLDADA PELO CONHECIMENTO. TE AMO, ALICE!)

 

 

 

LITERATURA ARARIENSE

Literatura é a arte de compor escritos artísticos, em prosa ou em verso, de acordo com princípios teóricos e práticos, o exercício dessa arte ou da eloquência e poesia. A palavra Literatura vem do latim "litteris" que significa "Letras".

Assim como a música, a pintura e a dança, a Literatura é considerada uma arte. Através dela temos contato com um conjunto de experiências vividas pelo homem sem que seja preciso vivê-las. A Literatura é um instrumento de comunicação, pois transmite os conhecimentos e a cultura de uma comunidade. O texto literário nos permite identificar as marcas do momento em que foi escrito. As obras literárias nos ajudam a compreender sobre nós mesmos e sobre as mudanças do comportamento do homem ao longo dos séculos e, a partir dos exemplos, ajudam-nos a refletir sobre nós mesmos.

A Literatura arariense é muito rica. Tivemos e temos notáveis escritores (poetas, romancistas, biógrafos, cronistas, contistas, pesquisadores...). Abaixo relaciono os eminentes escritores do nosso torrão mearinense de outrora, com suas respectivas obras:

Clodomir Brandt e Silva

1) Escritos sem Ordem – 1ª a 6ª séries;

2) Assuntos Ararienses – 1 e 2;

3) Famílias Ararienses – 9 volumes;

4) Família Brandt;

5) Folha Miúda, Minha Dor;

6) Os Caminhos de Silvania;

7) Arnaldo;

8) A Semente Que Cresceu Entre Espinhos;

9) Luzia dos Olhos Verdes.

José Raimundo Soares

1) Ressonância de Ecos;

2) Um Sonho da Colheita de Outono.

José Silvestre Fernandes

1) Cartilha das Crianças;

2) Primeiro Livro das Crianças;

3) Segundo Livro das Crianças;

4) Geografia (Séries e Admissão);

5) Matemática das Crianças – 1ª a 4ª séries.

6) A Baixada Maranhense - Geografia

Thiago José Fernandes

1) Ascensão de Um Tartufo.

Zuleide Violeta Fernandes Bogéa

1) Cartilha de Luís.

Raimundo de Sousa Fernandes - Caiçara

1) Publicou um conto sobre a origem do Lago da Morte.

  Hodiernamente, a literatura arariense continua rica em publicações dos mais diversos gêneros. Decerto, Arari é uma das cidades do Brasil, sem falsa modéstia, que mais publica e lança livros. Uma média surpreendente de dois livros lançados por ano. A seguir, catalogamos cada escritor com suas respectivas obras, notáveis escritores, verdadeiros mestres na arte singela da escrita. Um patrimônio literário de causar-nos orgulho.

José de Ribamar Fernandes

1) Poemas de Início;

2) Caminhos da Alma;

3) Eclosões (Co-Autoria);

4) Crônicas Ararienses;

5) O Educador Silvestre Fernandes;

6) A Representação Paritária na Justiça do Trabalho;

7) Portal do Infinito;

8) Gente e Coisas de Minha Terra;

9) Ao Sabor da Memória;

10) O Universo de Padre Brandt – Biografia.

João Francisco Batalha

1) Candidatura à Intendência -1919;

2) Família Batalha;

3) Família Prazeres;

4) Navegadores do Mearim e os Marítimos do Arari;

5) Mearim: Vida e Morte de Um Gigante;

6) Passageiro da Aurora – Pe. Brandt Prós e Contras;

7) Um Passeio Pela História de Arari – História.

Hilton Mendonça Corrêa

1) Odylo Costa, Filho;

2) Poetas Brasileiros de Hoje 1987 – Vários Autores;

3) Alguns Poemas Brasileiros – Vários Autores;

4) Poetas Brasileiros de Hoje 1989 – Vários Autores;

5) Julgados do Tribunal Trabalhista do Maranhão;

6) Julgados das Turmas Recursais do Maranhão;

7) Justiça Gratuita;

8) Alvorecer Intelectual – Literatura diversa.

Nerly Vale Cutrim

1) Passageiro do Tempo;

2) Prelúdio para Nicolle.

3)Águas do Mearim - Poesias

Éden do Carmo Soares

1) Peixes do Mearim – Científico e Ambiental.

Manira Aboud Santos

1) Educação e Democracia no Governo de São Paulo – Tese de Doutorado – Tese de Doutorado.

José Silva

1) Minhas Poesias – Escritos Inquietos - Poesias.

Herculano Ericeira Coelho

1)Rebelião dos Poemas – Poemas.

Cleilson Fernandes

1) Diálogo com o Pai - Teologia.

José de Ribamar Brito – Zequinha Brito

  1. Dramas das enchentes;
  2. Mensageiro da vaidade – vol. I e II;
  3. Mensageiro de Arari e os candidatos na Barragem - vol. I, II e III;
  4. A vida do Padre Clodomir da Cidade de Arari;
  5. Sonhos de ilusão fazem alguém chorar. (Todos os trabalhos publicados pelo "poeta do povo", Zequinha Brito, são em literatura de cordel).

Edina Bezerra

  1. Retalhos de Uma Saudade – Poesia de Cordel;
  2. Retrato de Mulher – Romance;
  3. Valores Branditianos, um tesouro a preservar – Biografia;
  4. Quimera – Romance - Romance.

James Cláudio

  1.  Chamas que não queimam – Poesias.

Sydenilson Santos

  1. Caçador de Ilusão – Poesias;
  2. Linhas de um Caderno Antigo – Poesias.

Francisco Ribeiro Júnior (Ribeiro Júnior)

  1. O Violino Íntimo das Palavras – Poemas.

Marise Ericeira

  1. Raízes de Arari – História e Genealogia.

Marcelino Chaves Everton

  1. Crônicas de Um Arariense - Crônicas.

Dinacy Mendonça Corrêa

  1. Um Cordel Para São Benedito.

José Maria Costa

  1. Sermão Vermelho – Teatro

Aurilene Chaves

  1. A Força de um sonho – Autbiografia

(Assim que novos livros forem publicados por autores ararienses, esta catalogação será atualizada). 

Dedico este trabalho ao nobre e eminente arariense e grande entusiasta do nosso trabalho, José Maria Sousa Costa - Zé Maria. Escritor e mantenedor do blog literário: BlogDo José Maria Costa (www.josemariacosta.com)

 

REFERÊNCIA

MENDONÇA, Hilton. Alvorecer Intelectual. São Luís, Mendonça Livros, 2004.

 

 

CURRAL DA IGREJA: caracterização histórica e socioambiental

Local onde acontece o evento Campeonato Brasileiro de Surf na Pororoca. Povoado de Curral da Igreja, Arari-MA. Foto: ABRASPO.

 

O povoado de Curral da Igreja é uma das povoações mais antigas do Mearim. Nessa região, "erguera-se ali a primeira igreja, tornando-se a primeira freguesia instalada na região, constituída pela oferta de considerável gado-vacum, vindo da Ilha da Madeira, de meia légua de terras e de um curral construído no lugar que ainda hoje se chama Curral da Igreja, para abrigar o plantel, doados em 1723 pelo capitão-mor e fidalgo da Casa Real, pe. José da Cunha D'Éça" (FERNANDES, 2004, p. 43). César Augusto Marques, renomado historiador maranhense, também cita o padre José da Cunha D'Éça em seu secular Dicionário Histórica-Geográfico da Provincia do Maranhão, 3ª edição, 1970, p. 457, onde elenca o seguinte:

"Em virtude da Resolução Régia de 18 de março de 1723 fez El-Rei saber a Francisco Machado, Provedor-Mor da Fazenda desta Capitania, que tendo visto a conta dada pelo Bispo D. Frei José Delgarte de como o padre José da Cunha D'Éça, fidalgo da Casa Real e Capitão-Mor que fora da mesma Capitania, se resolvera a abraçar o estado eclesiástico, pelo que lhe conferi as ordens necessárias e o persuadira, visto possuir bens de fortuna, a levantar uma igreja na ribeira do Mearim, onde já existiam 500 almas privadas de sacramento, ao que o dito padre atendera não edificando a igreja como também dotando-a de um curral de gado, meia légua de terra, quatro escravos e mais abegoaria necessária e paramentos suficientes de três cores, naveta, turíbulo, caldeirinha e sino, pelo que com toda satisfação mandará admití-la ao seu real padroado, e confirmava o padre como seu prelado, consignando-lhe a côngrua anual de 50$000 reis" (MARQUES, 1970, P. 457).

Desse modo, o surgimento do lugar Curral da Igreja ocorreu no século XVIII, após o polêmico padre José da Cunha D’Éça doar terras, escravos e gado-vacum, mandar construir uma Igreja e um curral, fundando, assim, o nosso histórico povoado. Se o pároco não tivesse construído a Igreja e o Curral, daí Curral da Igreja, nos idos de 1723, não teríamos, portanto, essa auspiciosa povoação.

Hoje, o povoado conta com 42 casas, onde a maioria é de taipa; possui 186 moradores, com um rendimento per capita de R$ 200,00; uma pequena mercearia; uma capela católica; uma escola municipal de ensino fundamental de 1º ao 6º ano; um salão de festas e um prédio construído especialmente para o Campeonato de Surf na Pororoca, um evento internacional que ocorre pelo menos duas vezes por ano no povoado de Curral da Igreja.

Uma estrada vicinal liga o povoado à sede do município de Arari, que está a 9 km de distância. A povoação fica a 40 km da foz do rio Mearim, aproximadamente. Devido esta proximidade com a foz, é que o Curral da Igreja tornou-se um local perfeito para a prática do surf na pororoca.

A formação geológica do lugar é de uma cobertura sedimentar recente. Baseando-se na classificação do solo maranhense, feita pelo pedólogo Paulo Klinger Tito Jacomine, pode dizer que o tipo de solo predominante nesse trecho do Mearim, onde se encontra o Curral da Igreja, é o plintossolos, que são solos normalmente ácidos e mal drenados, característicos de clima tropical com estações secas e chuvosas bem marcadas e de áreas de relevo plano, como várzeas e terraços fluviais (Departamento de Geomorfologia da UEMA).

Por possui um solo rico em sedimentos, em 1963, a PETROBRÁS – Petróleo Brasileiro S/A – fez prospecção no Curral da Igreja e constatou que em seu solo existe gás natural, a uma profundidade de 625 m. As escavações e canalizações do gás natural ocorreram em 16 de maio de 1963 e 19 de junho de 1963. A foto abaixo mostra o poço canalizado e lacrado.

Reserva de gás natural, no povoado de Curral da Igreja, Arari-MA. Foto: Adenildo Bezerra.

 

Os moradores de Curral da Igreja vivem basicamente da pesca, no rio Mearim e nos igarapés circundantes ao povoado; da agricultura de subsistência, onde cultivam feijão, milho, arroz e melancia; da criação de cabras, haja vista que o povoado possui uma das maiores criações de caprinos do município de Arari. As famílias também recebem dinheiro do programa de transferência de renda mínima do governo federal – Bolsa Família. Os mais idosos e deficientes recebem benefícios do INSS. Os chefes de família, em sua grande maioria, saem para trabalhar como operários em firmas fora do município e/ou fora do estado, daí mandam parte do que recebem para os familiares.

O abastecimento de água é feito através de poço artesiano perfurado e mantido pela Municipalidade. Recentemente os moradores de Curral da Igreja receberam cisternas do governo federal, através do Programa Água para todos. Os habitantes têm uma relação direta com o rio Mearim, pois o povoado fica na margem direita do rio.

Apesar disso, essa relação não é harmônica. Encontra-se muito lixo à beira rio. Algumas latrinas são na beira do rio, logo, quando a maré enche esses dejetos são levados pelas águas. Outro fator preocupante é o assoreamento no rio em Curral da Igreja. Nas proximidades do povoado a largura do rio é assustadora. Em média a largura do rio, segundo o Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis, é de 70 m a 650m. A profundidade média com a maré jusante é de 1,5 m a 2 m. Inúmeras coroas (crôas) se formaram e estão se formando no leito do Mearim. A salinização da água nesse ponto é intensa, fenômeno que está diretamente ligado ao assoreamento. Em determinadas épocas do ano, após a vazante da maré, as margens do rio ficam brancas de sal. A água salinizada alaga as margens, quando a maré baixa, a água evapora-se e fica apenas o sal.

 

REFERÊNCIA

DEPARTAMENTO DE GEOMORFOLOGIA DA UEMA. Blog Geomorfologia. Disponível em: http://geomorfologiacesc.blogspot.com.br/2012/04/solos-do-maranhao-mapa-e-notas.html?spref=fb. Acessado em 26 de novembro de 2013.

DEPARTAMENTO NACIONAL E PORTOS E VIAS NAVEGÁVEIS.

FERNANDES, José. O Rio. São Luís, Lithograf, 2004.

MARQUES, César Augusto. Dicionário Histórico – Geográfico da Província do Maranhão. 3ª Ed. Rio de Janeiro. Editora Fon-Fon e Seleta. 1970 (Coleção São Luís).

 

 

 

 

 

 

EXPEDIÇÃO MEARIM: uma viagem pelo “rio do povo”

 

Às 5 horas da manhã, do dia 9 de novembro de 2013, juntei-me aos companheiros de expedição, Jocei Jardim, secretário de meio ambiente do município de Arari; Ana Gabriella, graduanda do curso de Engenharia Ambiental do CEUMA; Raimundo Ericeira (Raimundo de Fufa), representante de pescadores e ambientalista; Raimundo Nonato (Nonato de Casemira), funcionário da Secretaria de Meio Ambiente de Arari; Curruta, pescador arariense e condutor da nossa embarcação; e Domingos, morador do povoado Arari-Açu da Beira e também condutor de outra embarcação que utilizamos, para saírmos, do Povoado Arari-Açu da Beira, em expedição pelo Rio Mearim.

Nosso objetivo era observar e registrar as condições ambientais do rio e de seus igarapés da margem direita, pertencentes ao município de Arari. Batizamos a expedição de “Expedição Mearim”. Saímos em duas canoas movidas a motores de rabetas. O nosso itinerário era entre Arari-Açu da Beira, ponto de coordenada UTM (Latitude 0527455; Longitude 9597675), povoado pertencente ao município de Arari; e Lapela, ponto de coordenada UTM (Latitude 0530662; Longitude 9587146), povoado pertencente ao município de Conceição do Lago Açu. Este percurso, previamente traçado, teve 28 km de extensão. 

Singramos o rio. Logo na primeira curva, à montante, deparamo-nos com um bando de ciganas (Opisthocomus hoazin), também conhecidas em outras regiões por jacu-cigano; aves de porte médio e de uma plumagem tocante. Tentamos nos aproximar para fotografá-las, mas não tivemos oportunidades, aves ariscas, trataram logo de voar. Continuamos a navegar rio acima, observando a mata ciliar, que, neste trecho, encontra-se bem conservada, exceto em locais habitados à beira rio onde a ação humana é sempre voraz. Próximo às povoações, sobretudo as maiores como Santa Cruz e Lapela, por exemplo, encontramos acúmulo de lixo na margem, embalagens plásticas boiando nas águas mearinenses; sem falar na grande quantidade de resíduos de sabão e água sanitária que caem dentro do Mearim devido à ação inconsciente das lavadeiras que diariamente lavam roupas no rio. Várias pessoas lavam seus veículos diretamente no rio, desse modo, resíduos de graxa a óleo caem, também, nas águas. Comentei com o Jocei: “Mesmo uma simples casinha causa impactos desastrosos no ecossistema, imagine uma povoação ou uma cidade”. Ele sacudiu a cabeça positivamente.

Em algumas áreas do Mearim, por ser mais estreito, em média a largura do rio nesse trecho é de 40 metros aproximadamente, há alguns pontos obstruídos pelo acúmulo de mururu. Às 10h15min. Chegamos ao povoado de Lapela. Uma povoação antiga, com 327 anos de fundação. Lapela tem apenas três ruas, uma secular capela católica, um pequeno templo evangélico, um posto de saúde e uma pequena escola municipal. As moradias são em sua maioria de taipa, cobertas de telhas; e poucas são de alvenaria. A base da alimentação é o peixe, capturados nos lagos e igarapés circundantes e no rio Mearim. Nesse povoado, segundo o arqueólogo Olavo Correia Lima, em seu livro Pré-História Maranhense, foi onde Manoel Beckman, no século XVII, tinha terras e um grande engenho. Foi na região de Lapela, ainda segundo o renomado cientista, que Beckman foi traiçoeiramente preso por Lázaro de Melo.

Após conversamos com alguns moradores e fotografarmos a localidade, retornamos às embarcações para a viagem de volta a Arari-Açu da Beira. Saímos de Lapela às 11h20min. Na volta o nosso objetivo era adentrar os igarapés para vistoriarmos a respeito do uso indiscriminado de tapagens e observamos as matas ciliares, impactos da ação antrópica e as condições fisiográficas de cada recurso hídrico localizado em terras ararienses.

A nossa primeira parada, à jusante, foi na embocadura do Igarapé Jabutitá de Cima, coordenada geográfica UTM (Latitude 0530398; Longitude 9588540) onde observamos várias tapagens obstruindo o igarapé. Todavia, o Jabutitá de Cima apresenta condições ambientais salutares. Mata ciliar densa, boa profundidade e vazão. No Igarapé do Jabutitá de Baixo, ponto de coordenada UTM (Latitude 0529081; Longitude 9589950), que na verdade é uma extensão do Igarapé Jabutitá de Cima, as condições ambientais são similares ao seu “xará”.

Nos Igarapés da Flecheirinha, ponto de coordenada UTM (Latitude 0529730; Longitude 9591988) e Flecheira, ponto de coordenada UTM (Latitude 0527566; Longitude 9592985), o problema mais premente é a construção de tapagens, que impedem tanto a vazão do igarapé quanto a entrada e saída de peixes para o rio e vice-versa. No tocante às condições ambientais, ambos apresentam mata ciliar densa, espaços sombreados nas margens. Porém, o igarapé da Flecheirinha apresenta pontos assoreados.

O assoreamento do Igarapé da Flecheirinha, segundo pescadores da região, é devido à construção de uma estratégia de pesca chamada de “pulador”. Essa “técnica” consiste em aterrar o igarapé, no período de abaixamento das águas, isso geralmente entre os meses de maio e julho, de uma margem a outra, a fim de forçar os peixes a pularem dentro de uma armadilha ou dentro das canoas, no momento em que tentam chegar ao rio. Depois, toda a terra acumulada fica depositada no leito do igarapé causando, paulatinamente, a seu aterramento.

O último igarapé que observamos foi o exuberante Igarapé da Mãe Joana, ponto de coordenada UTM (Latitude 0526810; Longitude 9594032). Encontramos um cenário pitoresco. O “Mãe Joana” é um igarapé gigante, profundo, com largura de 30 metros aproximadamente. É rico em pescado. “A gente pesca aqui o ano todo, peixe aqui é no inverno e no verão. Rapá siô, esse garapé tem peixe demais”, disse-me Curruta, exímio pescador dessas bandas. No entanto, o problema que mais prejudica o Igarapé da Mãe Joana também é a construção desordenada de tapagens. A confecção de tapagens em nossos lagos e igarapés é proibida por Lei. Logo, é um crime contra o meio ambiente. Inúmeros são os malefícios provocados pela confecção indiscriminada dessa prática nociva. A tapagem afeta diretamente a fauna ictiológica, impedindo-a de chegar ao rio e, também, de chegar aos campos inundáveis para a reprodução. Interfere ainda na vazão natural do igarapé, prejudicando dessa forma a renovação do fluxo d’água.

Retornamos ao povoado Arari-Açu da Beira às 16h00min. Os comentários foram muitos. Foi um momento de interação com a natureza e de conhecimento sobre o majestoso Rio Mearim. Podemos verificar in loco que essa parte do rio está em boas condições ambientais. Que capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris) povoam as margens, pois nos deparamos com vários bandos atravessando o rio de um lado para o outro. Que socós, seja o socó-boi (Ardea cocoi) ou o socó grande (Tigrissoma liseatum), aves piscívoras sobrevoam o Mearim à procura e alimentos. Jaçanã (Jacana jacana), japi (Cacicus cela); quelônios como a cangapara (Phrynops geoffroanus), jurará (Podecnemis expansa), todas estas espécies ainda podem ser vistas nesse trecho mearinense.

Concluímos, assim, que nem tudo está perdido. Que ainda há muita natureza e vidas no Mearim. Que somente com sensibilidade ambiental por parte do homem, que é quem age nos ecossistemas desequilibrando-os é que pode-se manter o que ainda resta de natureza, e revitalizar aqueles ecossistemas que precisam, urgentemente, serem revitalizados. O Mearim, no trecho que banha as terras pertencentes ao município de Arari, apresenta, então, um misto de preservação e destruição. A presença humana é o grande agravante de depredação ecológica. “A experiência humana na Terra não deu muito certo”.

 

 

 

 

 

Marcelino Everton, o desembargador arariense

 Marcelino Chaves Everton nasceu no dia 21 de agosto de 1948, no município de Arari. É filho de José de Ribamar Everton e de Raimunda Didi Chaves. Tem dois filhos: a juíza de direito Ana Gabriela, atualmente na comarca de Pedreiras; e o advogado Marcelo Eduardo. O magistrado é também avô de três netos.

Foi aprovado em concurso de escrivão de polícia em 1970. Depois que se bacharelou em Direito pela Universidade Federal do Maranhão, em 1975, na última turma da antiga Faculdade de Direito da Rua do Sol, ascendeu ao cargo de delegado de polícia.

Ingressou na magistratura em maio de 1982, como titular da comarca de Vitória do Mearim, após ter sido aprovado em concurso para juiz no ano anterior.

Foi promovido por merecimento paras as comarcas de Carolina (1986-1990), e de Pedreiras (1990-1993), e por antiguidade para a comarca de São Luís, em setembro de 1993.

Iniciou na capital como juiz auxiliar, tendo sido titularizado na 5ª Vara da Fazenda Pública, que ele instalou, em 1997.

Por meio de permuta, foi para a 2ª Vara da Família em 2002, onde permaneceu até ter acesso ao cargo de desembargador.

Marcelino Everton participou de vários eventos de especialização no Brasil e no exterior. No país, esteve presente em diversos congressos de magistrados e cursos de direito processual civil e de direito de família, muitos deles de caráter internacional.

Em eventos organizados pela REDLAJ (Red Latinoamericana de Jueces, em espanhol) para congregar juízes ibero-americanos, participou de congressos em Barcelona (Espanha – 2007); Santiago (Chile -2008), Cartagena (Colômbia – 2010) e Lima (Peru – 2011).

Como juiz da 10ª Zona Eleitoral, presidiu a solenidade de diplomação do prefeito e vereadores eleitos em 2004, em São Luís.

Recentemente, reuniu suas crônicas e artigos publicados em jornais maranhenses no livro “Crônicas de um Arariense”, pela editora Litograf.

Assessoria de Comunicação do TJMA

Orgulho

Durante o lançamento do livro do Dr. Marcelino Everton, no pátio do Colégio Arariense, em 2011, ao chegar a vez de ele autografar o meu livro, ele me olhou e disse: "Você é o professor Adenildo Bezerra. Acompanho as suas publicações em seu site, e são excelentes. Parabéns"! Fiquei orgulhoso ao ouvir encômios de um homem importante e culto como ele. Fica registrado neste singelo espaço eletrônico a nossa homenagem a tão ilustre arariense. Obrigado, Dsembargador Marcelino Chaves Everton!

 

A agricultura de subsistência em Arari: processos e tipos

A agricultura de subsistência é realizada pelo processo extensivo, isto é, após um processo rudimentar desenvolvido nas roças. Tais práticas não são adequadas e nem contribuem para a fertilidade do solo, todavia, é comumente realizado pelos pequenos produtores rurais locais. Esse processo, detalharemos em seguida:

  1.  Demarcação da área a ser utilizada.
  2.  Brocagem- devastação das árvores de pequeno e médio porte com utilização de foice ou facão.
  3.  Derrubada- consiste no corte das árvores maiores com a utilização do machado, geralmente após a brocagem.
  4.  Aceiramento- limpeza ao redor da área devastada para evitar a propagação do fogo em áreas não devastadas.
  5.  Queima- realizada após a derrubada.
  6.  Encoivaramento- após o esfriamento da área queimada começa-se a retirar os gravetos queimados, deixando o solo limpo para o plantio.
  7.  Cercamento- a área é cercada para evitar uma possível invasão de animais.
  8.  Plantio – numa roça planta-se sob a forma de consórcio vários produtos como: milho, feijão, mandioca e, após estas, planta-se o arroz e a melancia.
  9. Capina – é feita com o uso da catana (xavasca) ou enxada para retirada da vegetação daninha (mato), e facilitar o crescimento da plantação.
  10.  Colheita – o agricultor colhe a sua produção, geralmente baixa, devido o modo de uso do solo e das técnicas rudimentares utilizadas.

11) Capoeira - após a colheita a roça é abandonada, e passa a ser alvo de engorda dos rebanhos.

            Outra prática agrícola muito comum, principalmente em áreas banhadas pelo rio, igarapés e lagos é a vazante. Realizada após o período chuvoso, durante o abaixamento, entre os meses de julho a novembro. Quando os recursos hídricos (rio, igarapés e lagos) enchem e transbordam, eles carregam uma grande quantidade de matéria orgânica. Após o abaixamento das águas, essa matéria orgânica fica acumulada nas margens, o que oferecem um solo fértil e propício ao plantio.

QUANTIDADE E PERCENTUAL DE ANALFABETOS ABSOLUTOS, POR FAIXA ETÁRIA, RESIDENTES NO MUNICÍPIO DE ARARI

 

 

FAIXA ETÁRIA

 

QUANTIDADE

 

PERCENTUAL (%)

 

         DE 15 A 24 ANOS

 

  370

 

 8,5

 

        DE 25 A 39 ANOS

 

  918

 

20,8

 

       DE 40 A 59 ANOS

 

1 685

 

38,2

 

       DE 60 ANOS OU   MAIS

 

1 434

 

32,5

 

        TOTAL

 

4 407

 

 100

    FONTE: IBGE, 2010

 

 

JOSÉ DA CUNHA D’EÇA, o padre fundador do Arari

 

Um importante personagem dessa nossa história, podemos dizer, que é recente, que visa resgatar a origem do nome dos “d’Eça” no Maranhão, é o de José da Cunha d’Eça, foi o fundador da cidade Arari e Vitória do Mearim em 1723. Fidalgo da Casa Real e capitão-mor que foi da Capitania do Maranhão.

Há um verbete desse personagem no Dicionário Histórico-Geográfico da Província do Maranhão (1870). Era um homem afortunado e cheio de posses, que usava os seus recursos financeiros para conquistar a simpatia popular.

A origem nobre de José da Cunha d’Eça é comprovada por ser ele uma das famílias mais tradicionais de Portugal, mas também pela comunicação do rei de Portugal que confirmou as ordens ao fidalgo, comunicando ao Provedor-Mor da Fazendo no Maranhão e o mandou admitir ao seu real padroado a igreja que ele construiu no Mearim.

 

ORIGENS

A família d’Eça do Maranhão provém de D. Pedro I, de Portugal, e de D. Inês de Castro, por seu filho D. João, senhor de muitas terras e detentor, portanto, de suas respectivas jurisdições e rendas todas concedidas por mercê de seu pai, por carta de 1360, para ele e seus descendentes.

De sua primeira esposa, D. Maria Teles de Meneses, D. João teve um filho apenas, D. Fernando, que saiu do reino com ele e viveu por muito tempo em Galiza, onde teve o senhorio da Vila Eça, da qual se originou o sobrenome da família. D. Fernando, sem enviuvar, foi casado com várias mulheres, com as quais teve 42 filhos. Esse era o controvertido padre José da Cunha d’Eça, fundador do povoado que originou Vitória do Mearim e Arari.

 

O PADRE JOSÉ DA CUNHA D’EÇA

Era padre, mas como era na época, a sua ordenação foi comprada e não seria o caso de vocação. Assim como muitos papas ao longo da história o foram em troca de benesses para a igreja. Para abraçar o sacerdócio, José da Cunha d’Eça apelou para o bispo D. Frei José Delgate, que lhe ordenou, não há registro de que essa ordenação tenha sido feita em São Luís ou em Belém, já que ambos moraram nas duas cidades, conforme diz Berredo nos Anais Históricos do Maranhão. Sabe-se, portanto, que se o padre José da Cunha D’Éça não tivesse construído uma Igreja e doado terras, gado e outros aparatos à povoação, o Arari não existiria.

 

REFERÊNCIA

  BERREDO, Bernardo Pereira. Anais Históricos do Estado do Maranhão, 1749.

  Blog do Rev. João D'Éça. Disponível em: www.joaodeca.blogspot.com.br. Acessado em 26 de julho de 2013.

  MARQUES, César Augusto. Dicionário Histórico e Geográfico da Província do Maranhão. 3ª Ed. Rio de Janeiro. Editora Fon-Fon e Seleta. 1970 (Coleção São Luís).

 

 

 

 

A fauna baixadeira-arariense

           

O conjunto de animais da microrregião da Baixada Maranhense é bem diversificada, como Arari está inserida nessa parte do Maranhão, utilizo-me do excelente trabalho de pesquisa desenvolvido pelo pesquisador maranhense Cássio Reis Costa denominado, “Baixada Maranhense”, onde nas páginas 20/21, lê-se o seguinte:

 

Ocupando uma vasta área estimada em 20.000 km2, compreendendo os baixos cursos dos rios Mearim, Pindaré, Grajaú e Turiaçú, a Baixada Maranhense é uma gigantesca depressão de terras alagadas, que se estende por vários municípios do Estado, situado na Pré-Amazônia Maranhense.

A fauna é representada por numerosas espécimes. São abundantes a fauna lacustre em mandubés, surubins, mandis, pescadinha e outros, pululam nos rios, ao passo que nos lagos abundam piaus, puraquês, traíras, curimatãs, jejus.

As matas que bordejam os rios são povoadas de lontras, encontrando-se também, embora com menos abundância, pela perseguição que sofrem por parte dos caçadores, a capivara, conhecida dos aborígenes com “porco selvagem dos campos”.

Os quelônios são representados pelos jurarás, cágados e jabotis.

Dentre os ofídios ressaltam as cascavéis, que habitam de preferência os campos cobertos de capim-açú e os manguezais, que orlam as margens dos rios, no baixo curso. Constituem as “crotalus terribilias”, ameaça permanentemente à vida dos trabalhadores rurais, além de dizimar os rebanhos, com veneno mortífero de que são portadoras. As jibóias ou sucuris, atingindo, as mais das vezes, uma dezena de metros vive no seio das águas, de onde Sá se afastam a procura de alimentos. Há ainda a “pinta”, espécie de cascavel, mais delgada e desprovida de anéis na cauda. As jararacas são menos abundantes, com o seu habitat nas matas que cobrem as terras altas.

 

Aves numerosas povoam a imensa Baixada, sobressaindo os palmípedes representados pelos patos, marrecos, paturis, maguaris, meuás.

As pernaltas vivem ao lado dos lagos e lagoas, procurando também o leito dos rios, atingidos pelo fluxo e refluxo das marés. Garças numerosas, jaçanãs e socós, ao cair da tarde, quando se recolhem ao pouso noturno, sobem ao céu como nuvens brancas que se deslocam em várias direções. (REIS, 1982, P. 20/21).

 

É bem verdade que devido o desmatamento desordenado da nossa flora, para propiciar a agricultura comercial e a pecuária extensiva, grande parte da nossa fauna já foi extinta. Não existe mais em Arari, a riqueza faunística de outrora. Quem é arariense e tem mais de 20 anos de idade, ainda alcançou o lugar chamado de Cafezal, uma área arborizada, próximo à sede do município, onde lá encontrávamos uma diversificada fauna, representada por répteis, aves; pequenos roedores (cotia, paca, por exemplo). Hoje o Cafezal virou simplesmente uma área desmatada e sem vida. Às margens do Igarapé do Nema víamos uma grande quantidade de capivaras, mambiras, pequenos macacos, garça, jaçanãs, marrecas, socós, etc. Hodiernamente, não vemos nada além de pequenos pássaros. Lembro-me bem que na região da barragem do Nema existiam muitos bigodes e caboclinhos, onde armávamos gaiolas para pegá-los, travessuras de infância. Viajando por vários povoados ararienses, percebe-se que a fartura de antes se acabou. Observa-se inúmeros caçadores, que moram na zona rural arariense, voltando para suas casas, após horas a fio de caçada, sem nenhuma caça, ou quando conseguem algo são apenas pequenos bichos de pena.

 

REFERÊNCIA

  • COSTA, Cássio Reis. Baixada Maranhense. Sioge, 1982.

 

 

 

 

Titara: palmeira espinhosa dos campos alagáveis e das matas ciliares dos nossos igarapés

A titara (Desmoncus phoenicocarpos) é uma palmeira exótica, protegida por espinhos, pertencente, logicamente, à família das Palmae. Seu ambiente de crescimento favorável são os campos inundáveis e as matas ciliares dos igarapés e lagos baixadeiros. Essa palmeira pode atingir de 15m a 30 m de altura. A floração ocorre no mês de janeiro. A época da frutificação acontece de maio a junho.

O fruto da titara, de mesmo nome, é esférico, em formato de cachos, e é consumido in natura pelos seres humanos e por animais terrestres como porcos, cutias e pacas. Os peixes, sobretudo os “peixes pretos” (Jeju, carambanja, traíra) e os pequenos peixes de couro (capadinho e jandiá, por exemplo) também se alimentam desse fruto, que possui uma espécie de “coquinho” dentro da casca.

Além do fruto, a palmeira titara é importante, pois, com ela pode-se fazer varas para a confecção de utensílios como gaiolas, usadas na captura de peixes e aves. Ademais, essa prestimosa palmae possui uma fibra que é, também, muito usada pela população regional na confecção de produtos artesanais.

Ambientalmente, a titara é de suma importância para a manutenção da vida em nossos lagos e igarapés. Alimentam os peixes; contribuem para a contenção da queda das barrancas dos cursos d’água, evitando, desse modo, o assoreamento. Servem de abrigo a alimento para as aves e para outros animais. Nas margens do Igarapé do Nema era comum vermos a titara. Era. Porque atualmente não encontramos essa típica planta com facilidade à beira desse igarapé. Pode-se afirmar, então, que a titara está em extinção por aqui.

 

Crivirizeiro, árvore típica da Baixada Maranhense

 

O crivirizeiro (Mouriri guianensis Aub.) é uma árvore imponente, que mede de 15 a 30 metros de altura. É uma planta típica da flora da Baixada Maranhense e encontra-se em risco de extinção, ocasionado pelo crescimento descontrolado da agricultura e da pecuária nos campos inundáveis e tesos baixadeiros. Seu caule é grosso; sua folhagem é densa e propicia muita sombra. Cada folha mede, em média, 6 cm de comprimento por 3 centímetro de largura, e apresentam uma coloração de verde bem forte. O crivirizeiro produz pequenos frutos alaranjados, levemente ácidos e doces, consumidos in natura por humanos, animais selvagens e domésticos.

Essa árvore exuberante pertence à família das Milastonaceae. A época da floração é entre os meses de agosto e setembro. A frutificação acontece entre os meses de janeiro e fevereiro. Seu ambiente favorável para o desenvolvimento são as matas ciliares, alagáveis e os tesos, região não inundáveis. A madeira é usada para a confecção de esteios e estacas para as cercas.

O criviri é fundamental para a alimentação da fauna ictiológica, sobretudo para os capadinhos, que se alimentam dos pequenos frutos que caem na água dos lagos e igarapés. A conservação do crivirizeiro é extremamente necessária. Como é uma árvore de grande porte ela contribui para a contenção do assoreamento dos igarapés, serve de alimentação para os peixes e outros animais, além de fornecer sombra e madeira aos seres humanos.

O crivirizeiro e o seu fruto, o criviri, são símbolos dessa região única e exuberante, conhecida como Baixada Ocidental Maranhense. Região formada pelas bacias hidrográficas dos rios Mearim, Pindaré, Pericumã, Aurá e Turiaçu. A Baixada apresenta uma enorme variedade de espécies vegetais e animais. Desse modo, o crivirizeiro é a árvore que melhor representa essa microrregião. Pode-se dizer que trata-se de uma planta versátil pois desenvolve-se tanto em ambientes inundáveis (igapós), com em ambientes Não-inundáveis (campos herbáceos).

 

Cueira, árvore muito prestimosa para os habitantes rurais

 

A cueira é originária da América do Sul, e pode atingir até 12 metros de altura. Seu nome científico é Crescentia cujete. Dependendo da região, recebe outros nomes como: cuia, cumbuca, caiambuca, cabaço-de-cuia, cabaço-para-vasilhas, dentre outros.

O fruto da cueira geralmente é esférico, mas pode adquirir outros formatos, e apresenta uma polpa consistente e de odor ruim. Ao se retirar a polpa do fruto da cuieira, o mesmo é posto a secar fazendo a conhecida "cuia" de largo emprego e de múltiplos usos na região Norte do Brasil, e também no interior maranhense. Muitos habitantes da zona rural de Arari, por exemplo, utilizam a cuia como utensílio doméstico. Usam para guardar mantimentos como a farinha d’água, arroz, peixes e carnes salgadas e até mês mesmo para servir a refeição. “Eu gosto de tomar juçara e bacaba é na cuia”, disse-me, certa vez, o senhor  Ângelo Corrêa, morador do povoado Varame, área rural do município de Arari. A polpa, que muitos chamam de “miolo” é usada empiricamente na clorose (tipo de anemia que ataca especificamente as mulheres). Os indígenas usam a folha para provocar (induzir) o parto.
 

Outras curiosidades podem ser relatadas no tocante à utilidade da cueira e suas partes. Após secar a cuia, o homem do interior da Amazônia a pintava de preto com a resina do "cumatê", uma árvore que sempre é plantada às proximidades de onde se planta a cuieira. Antes, comentam, mergulhavam a cuia em urina humana para absorver a amônia que fecha os poros da cuia e receber melhor o breu do cumatê, pois fica com a superfície lisa, embelezando a peça. No interior, em algumas localidades, ainda se usa este processo. É claro que com o aperfeiçoamento dos produtos industrializados (lixa, tintas) o uso da urina no preparo das cuias ficou obsoleto. Todavia, a cuia é uma excelente matéria-pirma para a confecção de produtos artesanais. Os mestres da capoeira utilizam a cuia para confeccionar o berimbau, intrumento musical utilizado para ritmar essa dança/jogo. A minha avó paterna, Dona Andrelina Bezerra (in memoriam), sempre plantava e cultivava uma cueira em seu quintal, pois, segundo ela, a cuiera afastava as "coisas" ruins do terreno.

   

 

Anajá

O anajá (Attalea Maripa ou Maximiliana Maripa.) pertence à família das Aracáceas, é uma palmeira com até 25 m de altura estende-se por toda a Amazônia e circunvizinhanças até o Mato Grosso do Sul, sendo abundante do Pará ao Maranhão. É conhecida também por anaiá, inajá, aritá, maripá, najá, etc. Dá-se em terras firmes onde haja incidência de solo areno-argiloso, dispersando-se em solos de vegetação aberta ou nos campos e frutificando no primeiro semestre do ano.

Os frutos apresentam polpa suculenta, aromática e quase sem fibras, com sabor doce e agradável. São consumidos in natura, acompanhados de farinha de mandioca, e muito apreciados em toda a Amazônia, sendo inclusive comercializados em feiras e mercado das cidades da região. A polpa é usada também no preparo de mingaus.

Na nossa região, muitos habitantes das áreas rurais usam a poupa da anajá para fazerem o “vinho” de anajá, na verdade o suco de anajá. O suco fica bem grosso, com um aroma forte e é, geralmente, consumido com a farinha d’água. Desse modo, o anajá torna-se uma boa alternativa de alimentação às populações rurais.

 

 

 

O Camapu, fruto exótico e apreciável

O camapuzeiro (Physalis angulata), pertencente à família Solanaceae, é um arbusto frutífero pouco cultivado e frequente na natureza. Planta pouco exigente para o seu cultivo, sendo vista ao redor das casas e roças, no período de julho a dezembro, em vários lugares do Brasil onde é naturalizada, ocorrendo como subespontânea em áreas agrícolas e rurais.

Os frutos são bagas globosas, escondidas pelo cálice envolvente com a forma de balão, com polpa suculenta e doce, de sabor ligeiramente ácido e de coloração bem amarela quando maduros. É consumido in natura ou na forma de conserva com vinagre. Por causa de sua beleza, o camapu, vendido como physalis, é muito usado como decoração na confeitaria. Essa planta era comum em solo arariense. Atualmente, raramente a encontramos.

 

 

 

MARAJÁ, palmeira e fruto caracteríscos da nossa pré-amazonia e amazonia

 

O Marajá é o nome e um fruto de uma palmeira amazônica, mas que é comum na nossa região, haja vista que o território arariense fica numa zona de transição entre o Nordeste e a Amazônia. Seu tamanho pode ser comparado ao de uma azeitona, além do formato de um pequeno coco, com cascas roxa e às vezes preta. Sua polpa é muito pouca na cor branca e às vezes rosa adocicada e azeda. São consumidos ao natural e muito apreciados nas regiões de ocorrência, sendo inclusive comercializados em feiras. Quando consumido em demazia ou se, acidentalmente o caroço por engolido, pode causar séria obstrução no intestino grosso, dificultando a defecação.

A palmeira da qual provém o fruto é uma árvore com altura de aproximadamente seis metros de altura. Também é conhecida como marajazeiro (Bactris SP). Seu caule é coberto de espinhos e as folhas também. É comumente encontrada em regiões alagadas como os igapós.

Com a polpa da fruta pode ser fabricado o licor de Marajá. As sementes podem ser usadas em adornos como brincos e colares. Sua madeira é usada no artesanato; na confecção de instrumentos de pescas como o choque e o munzuá pelos habitantes da zona rural; e também na confecção de utensílios domésticos.

 

 

 

 

EXTRATIVISMO VEGETAL. Babaçu, importância e utilidades

A extração vegetal no município de Arari não exerce forte impacto na economia local. O principal produto do extrativismo vegetal é o babaçu, muito abundante no município, apesar do crescente desmatamento das palmeiras, que chegam a ter 15 metros de altura. Em função da agricultura mecanizada e da pecuária.

O babaçu é extraído pelo pequeno produtor de forma rudimentar (manual com o uso do machado), principalmente pela população feminina rural, as chamadas quebradeiras de coco. As amêndoas obtidas são trocadas por gêneros de consumo nas quitandas. Segundo o IBGE a produção anual de amêndoas de babaçu é, em média, de 225 t/ano. Além da amêndoa (caroço), o fruto é utilizado na fabricação de azeite, carvão, leite, ração animal, chocolate (do mesocarpo), dentre outros.

Aproveitamento do fruto de babaçu em partes pela indústria.

O coco pode ter usos múltiplose e diferentes, entre os quais destacam-se:

  • Epicarpo ou Pericarpo – parte externa, da qual se obtém fibras têxteis;
  • Mesocarpo – constituído de amido, de amplo emprego na indústria alimentícia e na produção de álcool;
  • Endocarpo – maior, mais dura e mais pesada parte do fruto; usado para a fabricação de carvão, utilizado em revestimentos de paredes, pisos e como enfeites (botões, puxadores,etc.);
  • Amêndoa – produz um óleo rico em glicerina, láurico, utilizado na fabricação de gorduras alimentícias, saponáceas, cosméticos, etc.

As palhas são utilizadas na cobertura de casas (muito comuns na zona rural) e na confecção de objetos artesanais. O palmito serve para fazer tortas e alimentar os animais. Em fim, o babaçu fornece 68 subprodutos, além de fomentar a renda de boa parte da população regional.

 

MATA PASTO: planta emblemática nos campos inundáveis ararienses

 

 

Planta de folhas compostas que cresce entre 1 metro e 3 metros é originária do Brasil. Este arbusto semi-lenhoso de altura variável, floresce no início verão em nossa região, e em outras partes do país florescem no outono. Seus frutos são vagens pretas e achatadas com uma ala muito saliente.  Existem as espécies Cassia alata e a Senna alata. E pertencem à família das leguminosas. Nos campos baixos da Baixada Maranhense, a mais comum é a espécie Senna alata. Assim, o mata pasto torna-se uma planta emblemática e peculiar em nosso solo alagável. Outros nomes comuns que a planta recebe, variando de região para região, são Maria-preta, Mangerioba-grande, Dartrial, Candelabro, Fedegoso-de-folhas-largas e Carrapicho rateiro.

É considerada uma planta indicadora quando nasce espontaneamente, sem ser plantada ou semeada, em uma determinada região, solo ou clima, que por ser mais adaptada a esta determinada condição, ela apresenta vantagem no seu nascimento/crescimento e desenvolvimento em relação às outras plantas, inclusive às cultivadas. Neste caso ela pode ser caracterizada como uma erva daninha ou inço se aparecer em áreas de cultivos comerciais também podendo ser chamada de planta daninha. O tipo de solo que esta planta está adaptada é solo compactado e duro ou superficialmente erodido, como o solo baixadadeiro maranhense no verão. Em solo fértil fica viçosa; em solo pobre fica pequena.

O mata-pasto, apesar de não apreciada pelos ruminantes quando verde, é muito consumida quando naturalmente seca. Apresenta, portanto, a possibilidade de ser usada como feno, para diminuir a carência alimentar dos rebanhos de bovinos, equinos e caprinos na época de seca. Transformada em feno, o mata pasto apresenta-se rico em cálcio (Ca) e fósforo (P). O mata-pasto é uma planta nutricionalmente adequada, com seu corte para fenação por volta de 120 dias.

O mata pasto também possui propriedades curativas. Segundo a medicina alternativa suas folhas, raízes e sementes são Febrífugas, diaforéticas, tônicas, purgativas, depurativas e emolientes. A raiz é tônica e as sementes anti-helmínticas. Suas folhas são indicadas no combate a dermatoses e secas cura afecções da pele, do herpes e úlceras. Combate diarreias e leucorréias. O pó da casca é usado também como cicatrizante. Os habitantes da zona rural arariense usam os galhos secos do mata pasto como lenha para queimar nos fornos onde torram a farinha d’água e para fazer fumaça para afugentar as muriçocas.

 

MORADIA TÍPICA DOS POVOADOS RIBEIRINHOS DA "BOCA DO RIO" MEARIM


 

O baixo curso do rio Mearim passa por uma região, obviamente, muito baixa, propícia a alagamentos durante o período de cheias. Para se protegerem das inundações do período chuvoso, os moradores ribeirinhos constroem suas habitações de jirau, feito com toras de tucum, carnaúba, palmeira de babaçú ou de juçara. O jirau fica suspenso a uma altura que não seja atingido pelas águas das periódicas inundações. As hibitações são sustentadas por uma substrutura de esteios especiais, com trocos de palmeiras, e as escadinhas servem de ponto de desembarque, quando, durante a cheia, a curiosa moradia insulada, suspensa sobre as águas, só se torna acessível a canoas e igaratés. A imagem da moradia acima foi tirada no povoado Tabocal, um povoado arariense que fica localizado às margens do rio Mearim, próximo a "Boca do Rio". Essas habitações são cobertas de palha da palmeira do babaçu e têm as peredes tapadas de taipa ou também de palha.

 

ASPECTOS DESCRITIVOS DO RELEVO ARARIENSE

 

Relevo são as diferentes modificações existentes na superfície terrestre. Desse modo, o relevo poder ser constituido, originariamente, de planície, de planalto ,  chapadas, depressões, de montanhas e/ou de cordilheiras, escarpas, morros, vales, etc. O relevo se origina e se transforma sob a interferência de dois tipos de agentes: os agentes internos e externos. Os agentes internos que modificam o relevo são o tectonismo (abalos sísmicos) e o vulcanismo (atividade dos vulcões). Os agentes externos modificadores do relevo são: o intemperismo, a chuva, o vento e a ação antrópica (ação do homem).

Contudo, faremos a seguir uma descrição do tipo de relevo arariense. Tipicamente, o relevo arariense é plano em sua grande parte, com predominância de planícies herbáceas ou argilosas e arenosas. Constitui-se ainda de uma planície de campos inundáveis e tesos, com variação da paisagem natural devido às inundações periódicas.

O relevo do município apresenta algumas elevações pouco significantes a leste. Sua maior altitude registrada, era no povoado Morro Grande que é de 80 metros, que hoje pertence ao município de Matões do Norte. Uma vez que a altitude do município é de apenas 15 metros em relação ao nível do mar.

A Geologia classifica essas terras, certamente, bacia de sedimentos recentes, e na qual predominam, como de costume em terrenos dessa espécie, a areia e a argila. Em seu livro Uma Região Tropical, p. 21 e 22, o Dr. Raimundo Lopes, grande geógrafo maranhense, elucida:

São bem patentes os fenômenos de modelagem atual da terra.

Vê-se o trabalho de deposição; com o auxilio de uma exuberante vegetação aquática, agregaram-se as partículas de terras, formando balções flutuantes ou camadas mal consolidadas –aterrados – e produzindo colmatagem das baixas e dos lagos.

O aspecto do relevo reflete o processo geogênico; os rios percorrem calhas pouco acentuadas, entre tesos e matas cujo solo lhe sobrestá de alguns metros apenas. Não raro Formam-se fitas marginais, de arvoredo, de modo que essas formações reproduzem um tipo clássico, apresentando: o leito, as duas faixas marginais e as duas baixas de aluvium que por sua vez as flanqueiam.

O aspecto geral do terreno é levemente onduloso, exceto nos descampados livres, onde o trabalho das águas não encontrou diferença inicial de nível suficiente à ação corrosiva.

Os tesos são partes do campo sobrestantes à inundação; generalizando este sentido é que chamamos de tesos os campos levemente altos. Baixas e enseadas são entradas dos campos inundáveis.

Uma curiosa revivescência, a que se dá nas invernias longas, quando os lagos transbordam sobre as campinas e as águas invadem baixas e enseadas, insulando tesos e arvoredos, inundando ilhas e fitas de mato- onde depois, nos troncos, se há de ver, muito acima do solo, a marca do inverno, como atestado do fenômeno da inundação lenta, gradual e difusa”.

 

REFERÊNCIA

LOPES, Raimundo. Uma região tropical. Rio de Janeiro: editora Fon-Fon e Seleta, 1970, p. 21 e 22.

 

 

O MURURU, planta íntima dos nossos recursos hídricos

 

Nenhuma planta aquática do curso do Mearim é mais comum e mais íntima à sua paisagem ribeirinha do que o mururu (Eichhornia crassipes) – Também conhecido como aguapé, orelha-de-veado, baronesa, jacinto-da-água -, espécie nativa da América do Sul tida entre todos os vegetais como a que mais rapidamente se multiplica, o que se constata no ambiente aquático mearinense pela rapidez com que recobre extensas superfícies de água doce, parada ou de pouco movimento (SOARES, 2005, p.28).

Na superfície rasa dos lagos e lodoçais, o mururu toma a aparência  de jardins flutuantes, dos quais emergem as mais belas eflorescência violáceas. Levada pela corrente, e até mesmo pelo vento, parte desse vegetal termina por comprimir-se nos igarapés e nos rios, na forma de grandes tapetes verdejantes e herméticos, sobre os quais até se pode caminhar – embora desaconselhável, por causa dos insetos, cobras, jacarés, que se podem aí esconder (SOARES, 2005, p. 28).

Indubitavelmente, o mururu tem o aspecto de uma toiça de folhas coriáceas, de cuja forma lhe vem o nome de orelha-de-veado; as raízes são em feixes e erbosas, as flores, que são roxas, quase de cor lilás, aninham-se no centro da cordelha de folhas (LOPES, 1970, p. 128).

Em vários povoados de Arari é comum o cultivo de plantas (melancia e milho preferencialmente) em vazantes à beira dos lagos e igarapés, pois durante o período chuvoso as águas inundam as áreas adjacentes, então o mururu sobe e recobre grandes extensões de terras. Após o abaixamento das águas o mururu que ficou retido serve de excelente adubo natural, deixando o solo humoso, propício à agricultura de subsistência.

O mururu pode ser benéfico e ao mesmo tempo trazer algum prejuízo. Ele é benéfico quando um ambiente que está sendo contaminado, como se verifica no Rio Mearim, no Igarapé do Nema e no Igarapé do Arari, por exemplo, na qual algumas pessoas jogam diversos tipos de dejetos e matéria orgânica, a planta atua filtrando partículas orgânicas em suspensão da água.

O aumento da quantidade da população dessa espécie no ambiente aquático pode prejudicar os peixes e microrganismos da água, na medida em que o grande número dessa população pode consumir o oxigênio em demasia e impedir a passagem de luz no ambiente. Essa é a parte negativa que o mururu pode ocasionar, além de aumentar em oito vezes a perda de água do ambiente hídrico pela evapotranspiração através das folhas. A proliferação dessa espécie em demasia nos ambientes aquáticos tem relação íntima com o acúmulo de resíduos orgânicos e químicos na água, já que essa espécie é um bioindicador  de poluição.

 

REFERÊNCIAS

LOPES, Raimundo. Uma região tropical. Rio de Janeiro: Fon-Fon e Seleta, 1970, p.128.

SOARES, Éden do Carmo. Peixes do Mearim. São Luís: Geia, 2005, p. 28.

 

   Pescaria com o uso de tapagens

 

No período do abaixamento das águas, logo que nos troncos da flora marginal se imprime a marca da vazante, observa-se a colocação de tapagens – cerca de talos – em muitos dos igarapés piscosos do baixo Mearim, prática viciosa que bloqueia os cardumes migratórios oriundos dos lagos e campos baixos alagadiços. Tais cercas são condenáveis, porque seu uso não discrimina entre exemplares adultos e imaturos, represando, do mesmo modo, espécies minúsculas, mais apropriadas ao alimento de peixes carnívoros, mas que, em vez disso, sucumbem despescadas à margem lamacenta dos igarapés. (SOARES, 2005, p. 30).

As tapagens, por sua vez, consistem em fechar a passagem de peixes grandes e pequenos nos rios e igarapés, com a colocação de cerca feita artesanalmente de talos, cipós e palha, tornando fácil sua captura pelo homem. Em Arari essa prática era recorrente no igarapé do Nema. Por causa dos impactos ambientais deletérios a colocação de tapagens está proibida.

José Silvestre Fernandes, em sua obra “A Baixada Maranhense”, escreveu o seguinte sobre a pesca e a tapagem:

“Nos igarapés que funcionam como sangradouros, em certa altura do seu curso, levanta-se uma cerca com talos de pindoba ou varas comuns, estendidas de uma a outra margem. Junto a essa tapagem, à montante, fincam-se dois jiraus, que são os pesqueiros do ‘canto’, como vulgarmente chamam os pescadores. 

Uns peixes, que sentem as águas do campo diminuir, procuram os igarapés com o objetivo de ganhar os rios principais.

Reúnem-se em cardumes numerosos. Retidos afinal pela armadilha que previamente foi preparada, são pescados com facilidade. Em geral essas tapagens são públicas e muitos pescadores se servem delas. O primeiro a chegar toma lugar no ‘canto’ e tem a primazia da pesca.

No leito do igarapé costumam deixar cair uma pindoba aberta para, em contraste com o lado escuro, melhor serem destacados os cardumes.

O ‘canteiro’, pescador que se coloca no jirau já referido, assim que percebe a influência de peixe junto ao cercado,assobia, dando o sinal convencional. Lança preste sua tarrafa e os outros o acompanham. Por esse modo apanha-se todo peixe por ali existente.

Depois de duas ou três tarrafadas, voltam à calma.

Ninguém conversa para não espantar os peixes. Em posição atenta, aguardam-se novas oportunidades.

É notável a quantidade de pescado colhido nesse período do (maio a junho) em quase todos os igarapés da zona.

Tal gênero de pescaria é mais abundante à noite.

Há ocasiões em que somente chegam à tapagem curimatãs. Em outras já se pegam bagrinhos, também chamados de capadinhos ou anojados (Pydidium brasiliense), acarás, piaus, mandis e dourados saborosos. Não “raro, porém, o peixe falha um ou dois dias, atemorizado pela intensa perseguição dos pescadores.”

 

REFERÊNCIAS

  • FERNANDES, Silvestre. Baixada Maranhense. Revista Brasileira de Geografia. 1956.
  • SOARES, Éden do Carmo. Peixes do Mearim. São Luís: Geia, 2005, p.30.

 

 

                               

                           

 

                    A Comunicação em Arari

 

No que se refere à comunicação, Arari conta com vários vetores e serviços, destacando-se os Correios, serviço de telefonia fixa e móvel e os meios de comunicação de massa como rádio e televisão, além de jornais impressos e INTERNET.

Na sede do município conta-se com uma Agência dos Correios e Telégrafos, onde são feitos postagem, SEDEX e despacho e recebimento de encomendas. O Sistema de Telefonia Fixa é de responsabilidade da OI - Telecomunicações S/A. Já a Telefonia Móvel ainda é muito incipiente, recebe-se área de cobertura da CLARO e da TIM; a VIVO e a Oi também possuem coberturas para celular, porém, em Arari, o sinal de ambas é precariamente disponível.

 Conta-se no município com uma emissora de rádio comunitária, a Rádio Progresso FM, que possui uma potência de 87, 9 MHz. Recebem-se também as ondas radiofônicas de emissoras AM e FM da Capital do Estado e de cidades circunvizinhas. Contamos, ainda, com pequenos, porém importantes e prestimosos, estúdios de gravação, anúncios e de utilidade pública em geral, denominados STUDIO “A” e “MA estúdio”, de propriedade particular.

A programação televisiva chega a Arari através de antenas receptoras de TV, antenas parabólicas e antenas de TV a cabo, esta restrita apenas à população de maior poder aquisitivo. As imagens são capitadas da capital do Estado, do resto do país e do mundo, através dos canais de tevê aberta. A cidade recebe diariamente os jornais de circulação estadual de São Luís, o Jornal Pequeno, O Estado do Maranhão e o Imparcial.

Em relação a jornais impressos, Arari já teve, num passado recente, vários periódicos como: A LUZ, primeiro jornal a circular na cidade, manuscrito produzido por Silvestre Fernandes e Thiago Fernandes, quando jovens; A ORDEM, segundo jornal de Arari, já impresso tipograficamente, fundado por Thiago Fernandes, seu irmão Lucílio Fernandes, político influente em Arari, que patrocinava a editoração do Jornal; e pelo professor Cardoso, em 1919, mas que teve circulação meteórica. Segundo José Fernandes, em seu livro “Gente e Coisas da Minha Terra”, os equipamentos tipográficos do Jornal foram jogados no rio Mearim, após um ato de vandalismo cometido pelos adversários políticos dos editores do periódico; tivemos, ainda, o Boletim Paroquial, depois Jornal Notícias, ambos fundados pelo Padre Brandt; Gazeta Arariense, Vanguarda, Cidade de Arari, Ponto de Vista, Folha Democrática, Map Terra, dentre outros periódicos de circulação esporádica.

Contemporaneamente, circula na cidade de Arari outros periódicos, também de suma importância como os de outrora, os quais destacam-se: O Combate Arariense, O Amanhã, Folha do Mearim, estes há um bom tempo não circularam mais; Folha da AVL – Academia Arariense Vitoriense-Arariense de Letras – e o Tribuna Arariense, fundado pelo empreendedor e acadêmico, Cleilson Fernandes, hoje mantido e produzido pelo Instituto Perone (Tirbuna Arariense já não circula há vários anos em Arari, assim como o site ARARINET, que também não está mais no ar na internet).  Além destes existem também os Informativos Partidários e os Informativos de divulgação da Municipalidade. O mais novo jornal arariense é o “Jornal Academia”, veículo produzido e mantido pela Academia Arariense de Letras, Artes e Ciências – ALAC.

Com o avanço tecnológico, a população arariense passou a contar com aparelhos de fax e computadores conectados à INTERNET, este serviço pode ser acessado na cidade com o auxilio de linha telefônica (OI velox) ou via rádio, através da Mearim Net, SivNet e da Loop Net. Na cidade, dispomos de LAN HOUSES e Vídeos-locadoras, que oferecem serviços de conexão a INTERNET e locação de DVDs, respectivamente.

Na internet temos uma blogosfera ativa. Vários ararienses publicam e mantêm blogs informáticos, políticos, científicos, pedagógicos e literários. Sobre estas iniciativas da difusão do pensamento através dos blogs, citamos: O blog Sociedade em Foco, de Ezequiel Neves; Interagindo com o Cafezinho, do vereador Cafezinho; De Olho, de Ailton Barros; Blog do José Maria Costa, blog literário e de conhecimento plural, escrito por José Maria Sousa Costa, arariense radicado em São Paulo. Nessa pluralidade, José Maria Costa sempre publica coisas de outros ararienses e textos ambientados em Arari; temos ainda o site pedagógico e contábil do professor Isidoro Filho; o blog do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente – CMDCA; temos o site geográfico, especificamente sobre Arari, iniciativa do professor Adenildo Bezerra. Nas redes sociais, existem inúmeros ararienses que publicam e comentam sobre tudo. Dentre as redes sociais, a mais acessada em Arari é o facebook.

Cita-se ainda, o serviço de alto-falante da Igreja Católica “VOZ DE ARARI” que vez por outra é ativado, mas devido o desenvolvimento da cidade, já não tem o mesmo alcance de anos atrás. Outros importantes meios de comunicação local são os “carros de sons”, que são muito utilizados para anúncios, avisos e para marketing comerciais e políticos.

 

 

Símbolos Municipais Ararienses

 

A simbologia arariense é compreendida pela Bandeira Municipal, pelo Brasão Municipal e pelo Hino Municipal, que são motivos de orgulho e amor por esta gleba alvissareira.

Bandeira

 

         

 

                                

A Bandeira Municipal Arariense foi idealizada por Rafael Silva Sousa com contribuição de Horácio da Graça de Sousa Filho, sendo aprovada pela Câmara de Vereadores, por força do Projeto de Lei nº 232 de 30 de abril de 1982. Suas cores em verde, amarelo e branco representam, respectivamente, as matas, representadas, sobretudo pelo babaçu, as riquezas naturais e a ordem, a paz e o progresso.

 

Brasão

 

                                    

Seu idealizador foi Horácio da Graça de Sousa Filho, na qual foi aprovado pela Câmara de Vereadores por força do Projeto de Lei nº 233, um ano após a bandeira, em 30 de abril de 1983. Também em verde, amarelo e Branco.  No centro do globo amarelo encontra-se um livro preto e branco. Na página esquerda há uma gravura de um cacho de arroz, representando a produção e na página direita uma pena, simbolizando a cultura e a instrução, grandes marcas ararienses. A chama simboliza a religiosidade do povo de Arari.

 

Hino ao Arari

No livro "Gente e Coisas da Minha Terra", página 111, na crônica intitulada "Um hino na madrugaa", Dr. José Fernandes conta como foi a composição da letra deste hino por ele escrito, em 1956, em São Luís, capital do MA, ainda na juventude. A música é do maestro maranhense Pedro Growell, cujo Padre João Mohana tece vários elogios em seu livro: "A grande música do Maranhão". O notável Josué Montello também faz referência ao eminente maestro no seu imortal romance "Tambores de São Luís". A orquestração é do maestro arariense José Gonçalves Martins, com arranjos do maestro João Carlos Nazaré.

O hino foi gravado pelo sargento Luís de Sousa Pereira, na administração do prefeito Domingos Aprígio Batalha. Por força de Lei é hoje o Hino Oficial de Arari. Recentemente, o maestro arariense Carlos Gonçalves Martins fez uma mudança em sua melodia, tornando-o apropriado ao canto. O prefeito Leão Santos Neto baixou um Decreto tornando sua execução obrigatória em todas as escolas da rede municipal de ensino, por entender que todo arariense precisa saber o hino de seu município, sem dúvida, uma louvável iniciativa.

                                                                                 

                                                                                             

 

Letra: José Fernandes

                                                                                   Música: Carlos Gonçalves Martins

 

Deus te salve, Deus proteja

Nobre terra do Arari

Ao que o Mearim bordeja

Chão feliz onde nasci.

                                  

                                                         

Salve os campos que te enfeitam,

Estribilho                               Que são teus grandes jardins,

                                              Abrindo aos que te visitam,

                                             As portas do Mearim.

             

            Glorificado o torrão,

            Altivos dessa baixada,

            Orgulho do Maranhão,

            Minha gleba muito amada.

           

                                                          

Salve os campos que te enfeitam,

Estribilho                               Que são teus grandes jardins,

                                              Abrindo aos que te visitam,

                                               As portas do Mearim.

 

            Jubiloso desta terra,

            Aos ventos grito, potente:

            Salve na paz ou na guerra,

            Este bom povo esta gente.

 

                                                Salve os campos que te enfeitam,

Estribilho                                 Que são teus grandes jardins

                                                Abrindo aos que te visitam,

                                               As portas do Mearim.

                       

 

    A malha de transportes em Arari

 

Arari se distancia a 156 km de São Luís, capital do Estado. Assim, as principais vias de ligação entre o município e a capital são as BRs 222 e, posteriormente, a 135. O território arariense liga-se ainda com a Baixada Maranhense pela MA 014, que se encontra com a BR 222 em Vitória do Mearim. A  BR 222 corta o território arariense de leste a oeste, é a maior rodovia, e, portanto, a única via de ligação entre o Arari com o restante do Maranhão e os demais estados brasileiros.

Arari é cortado de oeste a leste pela ferrovia Carajás-Porto do Itaquí, tendo esta ferrovia uma estação no povoado Bubasa. O transporte fluvial, que outrora era muito usado, hoje não existe mais. Apenas pequenas igarités navegam pelo Mearim atualmente, conduzindo pescadores e seu pescado. Inúmeras estradas vicinais ligam as zonas urbana e rural do município, sendo verdadeiras agrovias. Essas estradas são importantes para o município, pois é através delas que a produção agropecuária do interior é escoada para a sede do município de Arari e para ouros municípios.

Arari não dispõe de aeroporto, porém, conta com um campo de pouso para aeronaves de pequeno porte. Todavia, o "campo de aviação" arariense já está cercado por residências, não estando mais apto para receber pousos e decolagens de aviões. Os meios de transporte terrestres mais utilizados são: automóveis de pequeno, médio e grande porte, motocicletas, veículos de propulsão humana (bicicletas e bitas – bicicletas-táxi, que atualmente são utilizadas apenas para transportar pequenas cargas. Esse tipo de transporte  (as bitas) de propulsão humana alternativo foi implantado pelas freiras, Irmãs Franciscanas de Reute, em meados da década de 1990. Como era uma novidade à época, essa ideia das 'bitas" foi matéria do Fantástico, programa de reportagens semanal da tevê Globo); e há, também, meios de transporte de tração animal.

O transporte coletivo de passageiros tem frequência regular, contando com pequena e desaparelhada estação rodoviária, localizada no centro da cidade. Como a cidade de Arari se encontra numa localização que favorece saída para vários outros centros urbanos maranhenses e de fora do Estado do Maranhão, por aqui há uma intensa circulação de ônibus intermunicipais e interestaduais, vans e táxis que trafegam pela rodovia BR 222 com destino a vários pontos do Maranhão e do país.

 

                       

Dr. RAIMUNDO LOPES, notável geógrafo maranhense

Maranhense, nascido em Viana, em 1894. Foi um dos pioneiros na construção do conhecimento sobre o Maranhão, sua territorialidade, geografia, arqueologia, etnografia e outras áreas afins no âmbito natural e cultural. Bacharel em Letras produziu seu primeiro trabalho científico, O Torrão Maranhense, aos 17 anos, logo depois, Uma Região Tropical, através do qual delineou um panorama abrangente sobre os aspectos geográficos, econômicos, etnológicos, recursos arqueológicos e particularidades culturais regionais.

Raimundo Lopes localizou os primeiros sítios arqueológicos maranhenses, sambaquis e estearias, servindo sua obra de orientação a todas as pesquisas posteriormente realizadas no Estado. Sua produção científica, como pesquisador efetivo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, foi significativa e seus estudos voltados ao desenvolvimento de ações na defesa e salvaguarda de bens patrimoniais inovadores em sua época. Morreu no Rio de Janeiro, em 1941, pouco após o término do seu último trabalho acadêmico, Antropogeografia.

 

Retirado de Centro de Pesquisa de História Natural e Arquiologia do Maranhão. Disponível em: www.cultura.ma.gov.br/portal/cphna/index.php?page=arqueologia_extend&id=10. Acessado em 13 de maio de 2013.

 

 


 

 

LITERATURA CIENTÍFICA DO MARANHÃO

Resenha de livro raro: Uma Região Tropical, de Raimundo Lopes

16/05/2013 08:55
 Paul Avelino avelino@roadnet.com.br http://fla.matrix.com.br/pavelino ICQ# 53760772 LOPES, Raimundo. Uma região tropical. Rio de Janeiro: Cia. Editora Fon-fon e Seleta, 1970. 197p. Coleção São Luís, volume 2. As viagens de turismo talvez sejam a maior ilusão desses tempos de ilusões. Tem os...

                       

ASPECTOS DA VEGETAÇÃO PREDOMINANTE NO TERRITÓRIO ARARIENSE

 Por localizar-se numa área de transição, entre o Nordeste e a Amazônia, região esta conhecida como Meio Norte, a vegetação arariense sofre influência dos seguintes tipos de formações vegetais: campos, mata dos cocais e mata de transição (pré-amazônica), além dos mangues, um tipo de formação vegetal formada por árvores médias, com raízes em forma de escoras, solos pantanosos, onde predominam, sobretudo, caranguejos, siris, etc., predominando nas margens do Mearim, em seu baixo curso, junto à foz, ainda em território arariense.

 Os campos são formados por vegetação rasteira, gramíneas como o capim-açú (Panicum SP.) com touceiras altas, capim-de-marreca (paspalum SP.) uma relva miúda e de verde forte, capim tiririca (Ciperus cyperianal), algodão bravo (Ipomora fistulosa), a salsa brava, uma planta do tipo cipó de uma bela flor em forma de campânula.  Em épocas de cheias os campos inundam e aparecem vegetais como o mururu (Eichornia crassipes.), o junco (Cyperáceas), tripa de vaca, etc. Nos campos ararienses, após as cheias, são comuns também mimosáceas como o jiquirí (Giant Mimosa), sabiá (Mimosa caesalpiniaefoliac), angico (Anadenanthera peregninan), unha-de-gato (cacia polyphola) e algumas árvores de médio e pequeno porte como a jeniparana (Gustavia augusta) o mata-pasto (Senna alata), ingá (Ingá SP.), o crivirizeiro, que geralmente é encontrado próximo às margens dos lagos e igarapés, assim como a arariba, além de outras plantas arbustivas ou de médio porte muito comuns nos campos baixos, principalmente durante o período de estiagem. Os campos baixos são de uma extraordinária exuberância e riqueza vegetal e animal, sobretudo aves piscívoras, que, no período chuvoso migram para esse bioma para reproduzirem e encontrar alimentos. Seja no período de seca ou de cheia, os campos inundáveis são admiráveis e suntuosos. Os campos alagáveis da Baixada Maranhense são Áreas de Preservação Ambiental. Um patrimônio ambiental e turístico desse pedaço do Maranhão.

Os cocais são representados pela palmeira de babaçu (Orbignya phalerata tart), principal tipo vegetal e de maior abundância nesse bioma; tucunzeiro (Astrocaryum SP.), marajazeiro (Bactris SP.), titareira, macaúba (Acrocomia – p.), inajá (Maximiliana regia), bacabeira (Oenocarpus bacaba Mart.), juçareira (Euterpe edulis.), buritizeiro ( Mauritia flexuosa) e pela carnaubeira (Copernicia prunifera). Certamente as palmeiras de babaçu são as grandes vedetes da mata dos cocais. É uma planta 100% aproveitável. O babaçu é utilizado na culinária local, é matéria-prima para cosméticos, sabonetes, sabões, e na produção de carvão, com grande potencial colorífico. A carnaúba é outra planta desse bioma que merece destaque devido à sua importância econômica.

A mata de transição apresenta árvores de médio e grande porte como: pau d’arco, maçarandubeira, sumaumeira, mangueira, jatobá, jenipapo (Genipa americana), cajazeiro, embaúba (Cecropia SSP.) cedro, sapucaieira, tarumã (Vitex polygamai Chan), goiabeira (Psidium guajeval L.), ipê amarelo (Tabebuia umbellata), dentre outras. Devido o desenvolvimento da pecuária e da agricultura mecanizada em território arariense, a mata de transição e os campos perderam a sua cobertura vegetal original em larga escala e incontrolável intensidade. A mata de transição tem pouca predominância em nossa região, no entanto, apresenta-se com destaque por causa dos tipos arbóreos que constituem esse bioma, que são comumente encontrados em nosso território.

 

REFERÊNCIA

  • LOPES, Raimundo. Uma Região Tropical. Rio de Janeiro. Editora Fon-Fon e Seleta. 1970.

                   

 

        O ANINGAL E SUA IMPORTÂNCIA PARA OS CURSOS D'ÁGUA

 

Habitando, naturalmente, os terrenos aluviais inconsistentes, típicos de curso inferior e de estuário, a aninga (Montrichardia arborenscens) organiza-se em fileiras às bordas dos rios, igarapés, lagos e assemelhados mearinenses.

A expansão profusa da aninga, favorecida pela rápida multiplicação de seus rizomas, forma um aspecto ecopaisagístico muito peculiar – o aningal - que protege os barrancos lamacentos, impedindo a erosão das margens, abriga aves piscívoras, répteis (jacarés, cobras, cangaparas) e outras classes de indivíduos, tais como algumas espécies de peixes que ali se refugiam quando os cursos d’água ficam inundados.

Em tempos pouco distantes, o caule da aninga era muito requisitado para a fabricação de balsas, utilizadas no transporte de madeira destinada às marcenarias e carpintarias das comunidades ribeirinhas. Alem disso, as crianças e os adolescentes, sobretudo de Arari, nosso caso específico, utilizam o tronco da aninga como bóia, para atravessarem os rio e o igarapé ou até mesmo aprenderem a nadar. O ruim nisso é a coceira ("pico", na linguagem local) que a aninga deixa após o contato direto com a pele.

 

REFERÊNCIA

SOARES, Éden do Carmo. Peixes do Mearim. São Luís: Géia, 2005, p.27.

 

                       

   TIPO CLIMÁTICO DE ARARI

O clima predominante no município de Arari é o tropical quente e úmido. Esse tipo climático é predominante porque Arari está em baixa latitude, ou seja, próximo à linha do equador. Devido esta proximidade com o equador, existem apenas dois períodos bem definidos, o período chuvoso, que vai de janeiro a junho e o período de estiagem, que vai de julho a dezembro. As temperaturas variam de 26°C a 32°C e a média de 28°C, a pluviosidade do município é de 800 mm a 1600 mm/ano. No período de janeiro a junho a relatividade do ar ultrapassa 80% ficando o restante do ano com valores abaixo dos 80%, porém não inferiores a 50%.

Os ventos alísios do NE determinam a temporada de chuvas na região, enquanto os ventos alísios do SE determinam a temporada de estiagem. Os ventos na região alcançam velocidade média mensal 26 Km/h. E uma pressão de 1009 hPa.

O torrão arariense, por encontrar-se numa área de baixa latitude, sofre influência dos Regimes Equatorial Continental e Equatorial Marítimo, que surgem a partir dos deslocamentos das massas Equatorial continental (mEc) e Equatorial norte (mEn), caracterizando-se o regime chuvoso. No período de estiagem, face ao maior aquecimento do continente em relação ao oceano, as massas frias dão lugar às massas quentes como a massa Equatorial continental (mEc), que passa a dominar o clima.

 

REFERÊNCIAS

  • HIDRAELE – Projeto de Construção da Barragem no Igarapé do Nema – Relatório de Impacto Ambiental. Volume II. Arari – Ma. Agosto/1996.C
  • ClimaTempo, site oficial: www.climatempo.com.br. Acessado em 12 de abril de 2013.

PRODUÇÃO PECUÁRIA DE ARARI, EM 2012

Arari - MA

 

Pecuária 2012

 
 

Bovinos - efetivo dos rebanhos

  

43.339

  

cabeças

  

 

  

 
 

Equinos - efetivo dos rebanhos

  

955

  

cabeças

  

 

  

 
 

Bubalinos - efetivo dos rebanhos

  

4.062

  

cabeças

  

 

  

 
 

Asininos - efetivo dos rebanhos

  

186

  

cabeças

  

 

  

 
 

Muares - efetivo dos rebanhos

  

159

  

cabeças

  

 

  

 
 

Suínos - efetivo dos rebanhos

  

2.362

  

cabeças

  

 

  

 
 

Caprinos - efetivo dos rebanhos

  

807

  

cabeças

  

 

  

 
 

Ovinos - efetivo dos rebanhos

  

572

  

cabeças

  

 

  

 
 

Galos, frangas, frangos e pintos - efetivo dos rebanhos

  

23.683

  

cabeças

  

 

  

 
 

Galinhas - efetivo dos rebanhos

  

10.130

  

cabeças

  

 

  

 
 

Vacas ordenhadas - quantidade

  

1.393

  

cabeças

  

 

  

 
 

Leite de vaca - produção - quantidade

  

376

  

Mil litros

  

 

  

 
 

Ovos de galinha - produção - quantidade

  

27

  

Mil dúzias

  

 

  

 

FONTE: IBGE/AGED-MA

 

RIO MEARIM

MEARIM: o nosso rio

04/04/2013 17:02
Genuinamente maranhense, nasce nas encostas da Serra Menina numa altitude de 450 m, no município de Formosa da Serra Negra. Seu curso é de 930 km, sendo navegável somente em parte do alto Mearim e nos trechos médio e baixo do rio, compreendido entre a sua foz na Baia de São Marcos e a cidade de...

IGARAPÉ DO NEMA

IGARAPÉ DO NEMA, nosso pequeno-colosso e a ingratidão antrópica

24/03/2013 17:39
                                                A terminologia "Nema" é uma variante do termo árabe "NAIMA", e...

                   

 

    OS TIPOS DE SOLO ARARIENSE

Segundo estudos realizados pela Hidraele Serviços e Projetos Ltda, em Arari, no ano de 1996, o solo arariense apresenta dois tipos básicos: o Glei Pouco Húmico e o Aluvial.

O Glei Pouco Húmico é um solo de deposição recente relacionado ao Quaternário, nesse tipo de solo, normalmente há predomínio da redução do composto de ferro, em virtude dos lençóis freáticos permanecerem altos durante a maior parte do ano, em consequência esses compostos ferrosos se reduzem ou se oxidam, provocando o aparecimento de mosqueados amarelo-avermelhado, com camadas superficiais acinzentadas. Esse tipo de solo impossibilita a mecanização agrícola devido o excesso de água e textura argilosa.

O Aluvial é um solo mineral, também de deposição recente, de textura variável e de forma heterogênea, sendo originado a partir de deposição de sedimentos fluviais. É moderadamente drenado, não apresenta impossibilidade de ordem física ao uso de maquinário agrícola, e pode ser usado na agricultura em geral, uma vez corrigida suas deficiências nutricionais.

 

REFERÊNCIA

  • HIDRAELE – Projeto de Construção da Barragem no Igarapé do Nema – Relatório de Impacto Ambiental. Volume II. Arari – Ma. Agosto/1996.

                   

PONTE SOBRE O RIO MEARIM: ITAPOÃ

A grande ponte sobre o Rio Mearim, Itapoã, foi inaugurada em 12 de dezembro de 1973. Nesse dia, chega a Arari, para inaugurar a ponte, o ministro Mário Andreazza, titular do Ministério dos Transportes, no governo de Garrastazu Médici, acompanhado de grande comitiva de autoridades, entre as quais o governador do Maranhão, Pedro Neiva de Santana e o comandante Zeven Boghossian, diretor-geral do Departamento de Portos e Vias Navegáveis. Oito aviões aterrissaram em Arari nesse dia, conduzindo autoridades estaduais e federais.O prefeito de Arari, à época, era o Sr. Benedito de Jesus Abas, Biné Abas.

A ponte sobre o Rio Mearim, situada no Bairro da Coréia, da cidade de Arari, foi construída pela Construtora Itapoã, tendo como engenheiro responsável o Dr. Eduardo Torres Lopes e como ajudante e chefe-de-obra o Sr. Bita Tanaka. Sua dimensão é de 10 metros de largura e 240 m de extensão, com 100 metros de vão livre, constituindo-se, na época, a terceira maior ponte em vão livre no Brasil, depois da Rio-Niterói e de outra ponte no Rio Doce, na cidade mineira de Resplendor.

 

REFERÊNCIA

BATALHA, João Francisco. Um Passeio pela História do Arari. Lithograf. São Luís: 2011, p.181.

           

RUÍNAS DA CAPELA DE NOSSA SENHORA DO CARMO (DO SÉCULO XVIII)

O povoado Carmo, localizado no município de Arari-MA, outrora foi uma povoação com muitos moradores e onde existiu um grande Festejo Religioso em homenagem a Nossa Senhora do Carmo. Segundo informações fornecidas pelo historiador arariense, João Francisco Batalha, o local teria sido fazenda administrada pelos frades da Ordem de Nossa Senhora do Carmo, por volta da segunda metade do século XVIII, onde existiu, também uma Igreja (Capela, hoje em ruínas) erigida em nome da Santa Senhora, e de que lá existiu, também, um Engenho de Açúcar, além da sesmaria pertencente a Manoel Maciel Parente.
A comunidade pertencia inicialmente ao município de Vitória do Mearim,  mas foi anexada ao município de Arari a partir de 23 de maio de 1871, sete anos após a emancipação política do Arari, em 27 de junho de 1864. Hoje o povoado praticamente não existe mais. A Capela de Nossa Senhora do Carmo (foto acima) está em ruínas. Ao lado da Capela, há um ferro muito pesado, que segundo uma lenda local, ninguém consegui movê-lo. Alguns antigos moradores do local, ainda vivos, que hoje habitam em Arari ou em Vitória do Mearim, dizem que o ferro é místico.

LAGOS ARARIENSES

LAGO ARARI-AÇÚ

25/02/2013 10:31
Lago do Arari-Açú, um dos lagos mais piscosos do município de Arari. Localizado no povoado de mesmo nome, esse exuberante lago abastece a zona urbana do município com peixes típicos na nossa fauna ictiológica. Espécies típicas como o capadinho, traíra, bodó, branquinha, curimatá, aracú,...

Baixo Mearim, "Boca do Rio"

EROSÃO MARGINAL DO BAIXO MEARIM

25/02/2013 10:22
      Um problema grave que diagnosticou-se na "boca do rio" Mearim foi o acelerado processo de erosão das suas margens (direita e esquerda). A erosão é o desgaste do solo ocasionado pela água corrente contínua. Por encontrar-se em uma região propícia a ações erosivas, o...

Baixo Mearim, "Boca do Rio"

O PROBLEMA DAS QUEIMADAS NA "BOCA" DO RIO MEARIM.

25/02/2013 10:20
      O fogo foi uma descoberta incrível feita pelo homem no período Neolítico, mas, mal utilizado, causa catástrofes na agricultura, as matas, aos parques ambientais, aos biomas e demais ecossistemas. É um problema que ocorre de forma constante e muitas vezes irresponsável,...

"BOCA DO RIO" MEARIM

PESCARIA NA "BOCA DO RIO" MEARIM.

25/02/2013 10:17
        O curso inferior no rio Mearim é rico em pescado. Peixes de várias espécies e tamamhos podem, ainda, mesmo que minguando ano a ano, ser encontrados nesse trecho mearinense. Espécies como o surubim, bagre, gurijuba (peixe que o professor Adenildo está...

IGARAPÉS ARARIENSES

A IMPORTÂNCIA DOS IGARAPÉS PARA ARARI

21/02/2013 09:51
  Os igarapés são pequenos cursos d’água que correm em direção, geralmente, a um rio. Nosso município é cortado em várias partes do seu território por esses “braços” de rios, todos de cursos perenes que alimentam o volume de água do Mearim, e servem de vias migratórias para os peixes do...

                

 

POPULAÇÃO ARARIENSE EM NÚMEROS (PARTE II)

O município de Arari apresentou um crescimento demográfico contínuo nos últimos 20 anos. Segundo o censo do IBGE 2010, tivemos números crescentes em vários aspectos da nossa população.  Vejamos a seguir os números da população arariense no tocante à escolaridade, analfabetismo, rendimentos, trabalho, número de domicílios, religião, etc.

Religião – Arari possui 23127 católicos; 4304 evangélicos, divididos em diversas Igrejas; 908 pessoas que se declaram sem religião; e 16 pessoas que se dizem ateus.

Escolarização e Analfabetismo – A população de 15 anos ou mais alfabetizada (que sabe ler e escrever) é composta de 19772 pessoas; 4407 (15,4%) são consideradas analfabetas absolutas. Da população de 10 a 19 anos, 887 estão fora da escola.

Trabalho e Renda – 2838 ararienses vivem com um rendimento mensal de ¼ do salário mínimo, ou seja, sobrevivem com 170 reais mensais, aproximadamente.  Pessoas com mais de 10 anos que trabalham com carteira assinada somam 1931 trabalhadores. Há 2988 ararienses trabalhando na informalidade, ou seja, sem carteira assinada. Arari possui atualmente 7772 domicílios, distribuídos nas zonas urbana e rural.

Referência

IBGE - Censo demográfico de 2010. Disponível em www.ibge.gov.br. Acessado em 30 de janeiro de 2013.

 

                                                        

 

   A POPULAÇÃO ARARIENSE EM NÚMEROS (PARTE I)

 

A população arariense absoluta, segundo o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - 2010, é de 28.488 habitantes. Sendo que 17.483 (61,37%) habitantes residem na zona urbana; e 11.005 (38, 63%) habitantes residem na zona rural. A densidade demográfica é de 25,90 hab./km2.

Na tabela abaxo, observa-se o aumento populacional de Arari, de acordo com os últimos censos demográficos (de 1996 a 2010) realizados pelo IBGE.

 

 

 ANO                    

 1.996

2.000

2.007

2.010

Nº HAB.            

25.125

26.366

27.753

28.488

Fonte: IBGE

 

Entre os anos de 1.996 a 2.000 o aumento demográfico arariense foi de 1.241 pessoas; de 2.000 a 2.007 houve um crescimento populacional de 1.387 pessoas; e de 2007 a 2010 houve um crescimento demográfico de 735 pessoas.

A tabela abaixo mostra-nos o número de habitantes, por faixa etária, do município de Arari, segundo o censo demográfico de 2010 realizado pelo IBGE.

 

 

FAIXA ETÁRIA (anos)

                                  MASCULINA

                                                   FEMININA

                                                 TOTAL

0 a 4

            1.315

                 1.279

             2.594

5 a 14

            3.049

                  2.830

             5.879

15 a 29

            4.237

                  4.254

             8.491

30 a 49

            3.286

                  3.393

             6.679

50 a 79

            2.246

                  2.194

             4.440

80 a 99

               179

                     219

                 398

100 anos ou mais

                   3

                          4

                     7

TOTAL

        14.315

               14.173

       28.488

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: IBGE – 2010

 

 

 

 

GEOGRAFIA ARARIENSE

SILVESTRE FERNANDES, nosso notável geógrafo

01/02/2013 19:24
Silvestre Fernandes, eminente geógrafo, nasceu em 1º de agosto de 1889, em Arari-MA. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão – IHGM,  foi professor catedrático do Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro. Além de geógrafo conceituado, Silvestre Fernandes foi, também, professor e...

LAGO DA "MORTE"

LAGO DA "MORTE": toponímia, exuberância e degradação antrópica

22/01/2013 19:24
           POR DORILENE MARTINS**     Todos os lugares possuem uma história, no campo ou na cidade. São marcas de uma cultura que são acumuladas por tradição e herança, comum as todas as sociedades. Além de terem uma identidade são, portanto,...

                             

 

           IGARAPÉ DO JOÃO DE MATOS

 

O Igarapé do João de Matos fica localizado no povoado Carmo, banha os vastos campos daquele povoado arariense. Nasce nas proximidades do Arari-açu e deságua no rio Mearim. O nome "João de Matos" é em homenagem ao desbravador daquelas terras e provável primeiro morador dessa região, no século XVIII. Segundo relatos de vários pescadores e ex-moradores do Carmo, outrora o João de Matos era um igarapé largo, fundo e piscoso. Hoje, quem vai ao João de Matos depara-se com um cenário de degradação em um estágio avançado. O igarapé está raso, com uma profundidade média de 1,20 m e uma vazão de 0,086 metros cúbicos por segundo; estreito, a largura média é de 5,5 m. De onde se encontrava a antiga margem do igarapé, e onde está hoje, há uma distância de 4 metros. O assoreamento é intenso. Encontramos vários trechos onde a água estava cheia de óleo lubrificante, e, ainda por cima, muitas embalagens do produto boiando nas águas turvas e barretas de coloração alaranjada. Peixe? Não vimos nenhum. Até porque, com o estado em que se encontra o João de Matos, peixe algum conseguiria sobreviver naquelas águas. A vegetação marginal foi derrubada pelo agronegócio, haja vista que em suas margens há campos agrícolas de arroz mecanizado. A largura da mata cilar até os campos de arroz não chega a 5 metros. É cabível dizermos que o agronegócio implantado em Arari não respeita o meio ambiente. O ecocídio que ora encontramos no João de Matos é culpa da falta uma política e de um planejamento sustentável, para que progresso e meio ambiente avancem lado a lado. Arari é um município privilegiado no tocante aos recursos hídricos. Temos dezenas de iagarapés perenes, que, no entanto, atualmente, estão em situação de extrema degradação ambiental. Não há um plano de manejo e de zoneamento ambiental que possa viabilizar a proteção destes importantes "braços" do rio Mearim. O zoneamento e o plano de manejo como instrumento técnico, devem ser a base de qualquer política pública de preservação do meio ambiente, compatibilizando-se o uso dos recursos naturais e sua conservação. "Os igarapés servem de vias migratórias para grande número de espécies da ictiofauna mearinense, pois no período da piracema os peixes percorrem esses sangradouros naturais até os campos baixos onde desovam, perpetuando a espécie" (Soares, 2005).

REFERÊNCIA

SOARES, Éden do Carmo. Peixes de Mearim. São Luís: Instituto Geia, 2005, p. 25.

 

 

                          

 

   O igarité, embarcação símbolo do Baixo Mearim

 

O igararité é um tipo de embarcação típica desse trecho do Mearim, que estabelece uma bela relação com o rio. É versátil, sua fabricação é praticamente toda artesanal, com o uso de ferramentas simples. Em Arari existiam vários fabricantes de igarités. Atualmente essa arte primorosa praticamente não existe mais. Os grandes fabricantes ararienses de igarités já faleceram ou estão muito idosos e não dão mais conta do trabalho. Infelizmente não houve o repasse dessa arte. E os poucos que aprenderam a fabricá-lo não levaram a arte à diante. O odontólogo e icitiólogo arariense, Éden do Carmo Soares, no seu notável livro PEIXES DO MEARIM, define da seguinte forma o igarité, vejamos: "Um meio de transporte comumna região é o igarité, embarcação motorizada alongada, estreita e de pequeno calado. Nem mesmo quando estradas temporárias alcançam os povoados à beira do rio e dos lagos, o igarité deixa de ser o mais eficiente meio de transporte das comunidades ribeirinhas. É o "pau-para-toda-obras", no dizer comum, transportando produtos da mata e da lavoura, pescadores na sua faina, ou passageiros e mercadorias do pequeno comércio da região". Desse modo, o igarité é um símbolo mearinense que está a serviço das comunidades ribeirinhas.

REFERÊNCIAS

SOARES, Éden do Carmo. Peixes de Mearim. São Luís: Instituto Geia, 2005, p. 31.

 

 

HISTÓRIA DE ARARI

ARARI, segundo o notável historiador maranhense, César Augusto Marques

15/01/2013 19:40
Arari-1 (Freguesia de Nª Srª da Graça do) – O curato do Arari, que está em 3° 14' de lat. merid. e 46° 51' de long. oc., foi fundado em 1723, por José da Cunda d'Eça184 ou de Sá, fidalgo da Casa Real e capitão-mor que foi da Capitania do Maranhão. / Está situado em posição encantadora, e é cortado...

MUSICALIDADE ARARIENSE

JOSÉ MARTINS, o nosso eminente maestro

14/01/2013 19:03
José Gonçalves Martins, grande e saudoso maestro arariense, compôs, executou e  ensinou a sua arte musical aos ararienses por longos anos. Inúmersos conterrâneos receberam o incentivo e o aprendizado musical de José Gonçalves Martins. A musicalidade do nosso eminente maestro ainda é notória em...

GEOGRAFIA ARARIENSE - "BOCA DO RIO" MEARIM

A FOZ DO RIO MEARIM - "BOCA DO RIO"

23/12/2012 18:56
PESCARIA NA "BOCA DO RIO" MEARIM. O curso inferior no rio Mearim é rico em pescado, peixes de várias espécies e tamamhos podem, ainda, mesmo que minguando ano a ano, ser encontrados nesse trecho do Mearim. Espécies como o surubim, bagre, gurijuba (peixe que o professor Adenildo...

Academia do Saber Arariense

A RATIFICAÇÃO DO SABER ARARIENSE

23/12/2012 18:50
Partindo de uma motivação ousada, arrojada, reflexiva e independente, foi criada a Academia Arariense de Letras, Artes e Ciências - ALAC . Esta nova instituição pretende resguardar e manter o brilho das Letras, que jamais se poderá apagar; a verdade das Ciências, que identifica soluções – sempre...

Geologia Arariense

ARARI: descrição da estrutura geológica

26/11/2012 18:00
Chama-se estrutura geológica de um local às rochas que o compõem, suas diversas camadas, diferentes tipos e idade geológica e aos processos geológicos que deram origem a essas diversas camadas rochosas. Área resultante de um intenso trabalho de erosão fluvial do Quaternário antigo,...

Lagos de Arari

ARARI, limnologia lacustre

26/11/2012 10:55
César Augusto Marques, notável historiador e pesquisador maranhense, no Dicionário Histórico-Geográfico da Província do Maranhão, fez a seguinte inferência sobre o conjunto lacustre de Arari:   “Distante da povoação meia légua está o Lago da Morte, que é mui piscoso, tendo no verão meia...

GEOGRAFIA DE ARARI

"LAGO DA MORTE", UM LAGO QUE NÃO É LAGO

28/10/2012 18:17
O “Lago” da Morte, na verdade, é uma extensa planície que se localiza numa área baixa do município de Arari. Essa planície durante o período chuvoso fica inundada por um exato período de seis meses, ou seja, de dezembro a julho. Quando chega o período seco, de estiagem, logo nos primeiros meses...

Arari

ARARI: ASPECTOS GEOGRÁFICOS GERAIS E LIMITES

26/10/2012 17:24
  Arari apresenta, segundo o IBGE (2010), uma extensão territorial de 1.079,4 km2. E uma população estimada em 28.477 habitantes, sendo 17.484 na zona urbana (61,39%) e 10.993 na zona rural (38,61%), dos quais 14.308 são homens e 14.169 são mulheres, possui 21.489 eleitores (em 2012) e IDH...

                                           

 

 

ARARI: um breve histórico

       Em 1723, José da Cunha D’Eça, fidalgo da Casa Real e Capitão-Mor da Ribeira do Mearim, fazendo vir gado de Cabo Verde, na África, instalou junto à Vila uma fazenda, tendo mandado levantar nessa localidade uma Igreja com a evocação de Nossa Senhora de Nazaré, dotando-a de um curral de gado, meia légua de terras, quatro escravos e ainda de abegoarias e paramentas, nativa, turíbulo, cadeirinha e sino, doação essa confirmada pela Carta Régia de 19 de maio de 1760, dirigida ao Provedor-Mor da Fazenda Real da Fazenda do Maranhão.

       Em 1728, o proprietário José da Cunha D’Eça transferiu essa freguesia para o Sítio Velho, que passou a ter denominação de Vila do Mearim, sendo considerada a principal povoação da Ribeira do Mearim.

       Com a morte de José da Cunha D’Eça e acessão de Manoel Parente à patente de Capitão-Mor da Ribeira do Mearim, em 1747, Joaquim de Melo, visitando a localidade alarmou-se com as freqüentes quedas de barreiras do rio Mearim e resolveu transferi-la para terras mais altas, na mesma margem do rio, ficando a vila denominada simplesmente de Sítio. Ainda neste mesmo ano, João Brandão e José Monteiro Guimarães assentaram seu arraial a algumas léguas rio acima, dando origem ao povoado de Arraial.

       Em 13 de maio de 1836, o Juiz de paz José Antonio Fernandes, dirigia um abaixo assinado a Dom Marcos Antonio de Sousa, bispo nomeado para o Maranhão pelo Decreto de 12 de outubro de 1826, pedindo que elevasse à categoria de Curato, o povoado de Nossa Senhora da Graça do Arari.

       Registro do historiador e geógrafo César Augusto Marques, em seu secular Dicionário Histórico-Geográfico da Província do Maranhão, dão conta de que o Curato de Arari possuía no ano de 1856 quarenta casas de telha e 90 de palha, 10.086 habitantes, sendo 313 escravos e 5 lojas ou quitandas.

       Em 1858, por Lei Provincial nº 465 de 24 de maio, Arari era elevada à categoria de Vila, como Distrito Administrativo da Vila do Mearim. Arari passava a ser uma nova Freguesia com a invocação de Nossa Senhora das Graças.

       Em 1864, Arari foi elevada à categoria de município por lei provincial, continuando sua sede com o título de Vila, porém, passando a ter autonomia político-administrativa por Lei Provincial nº 690, de 27 de junho de 1864. Pela Lei Provincial nº 692 da mesma data, foi desmembrada de Vitória do Mearim, adquirindo novas delimitações.

       Contudo, somente em 29 de março de 1938, setenta e quatro anos após e emancipação política, Arari adquiriu foros de cidade por força do Decreto Lei nº 45.

Quem foi o fundador de Arari? E qual a origem do nome Arari?

       Em resposta à primeira pergunta, afirmo, assim como afirmou o Dr. José Fernandes, em sua crônica - Quem fundou o Arari? – que se encontra no livro Gente e Coisas da Minha Terra -, que o fundador de Arari foi o Padre José da Cunha D’Eça. Uma vez que há registros seguros de que, nos idos de 1723 foi ele (José da Cunha D’Eça) quem fundou o curato do Arari. (Outros historiadores ararienses não concordam que  o Pe. José da Cunha D'Eça foi fundador de Arari).

       Renomados historiadores maranhenses, em obras bem elaboradas, como César Augusto Marques com o Dicionário Histórico-Geográfico da Província do Maranhão; O Professor Jerônimo de Viveiros; Eloy Coelho Neto em seu livro Geo-História do Maranhão, fazem a mesma afirmação. Além do intelectual arariense, Dr. José de Ribamar Fernandes.

       Em relação à pergunta a respeito da origem do nome Arari, depois de conhecer várias hipóteses (ou meras especulações e ilações), acredito que a terminologia Arari que, etimologicamente, vem do tupi ara’ri, que quer dizer arara, foi importada do Pará pelos portugueses que vieram morar nessas terras mearinenses. Assim como foi importada de Belém, capital do Pará, a devoção a Nossa Senhora da Graça.

       Sabe-se da existência de uma região paraense com características geográficas, fisiográficas e toponímicas iguais às nossas, denominada Arari.

       Provavelmente, quando os portugueses chegaram aqui no nosso Arari, após passagem por regiões paraenses como Cachoeira do Arari, Lago Arari, por exemplo, perceberam as semelhanças entre ambas as regiões e deram o nome Arari a estas terras, uma vez que não havia um nome específico confirmado a esse auspicioso lugar àquela época.

PS. Sabe-se que há muita coisa relacionada à História de Arari que precisa ser esclarecida e cabalmente confirmada. Aqui coloquei apenas as minhas ideias. No esntanto, é válido que outros estudiosos ararienses se dediquem a uma investigação histórica mais apurada sobre a nossa Gleba.

Geografia Arariense

Arari e sua reserva de gás natural

20/12/2011 20:18
(Poço de gás natural, no povoado Curral da Igreja. Foto de Adenildo e Isidoro) Extrativismo mineral - A formação geológica não conferiu a Arari um potencial mineral, no que se refere a minérios e metais preciosos. Entretanto, a PETROBRÁS – Petróleo Brasileiro S/A -, empresa estatal...

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